Mediação de Conflitos

Eu queria aproveitar e contar pra você, querido leitor, que hoje foi o primeiro dia do Curso Introdutório de Mediação de Conflitos na UMAPAZ.

Facilitadores: Fábio Lisboa e Sandra Ignez Baraglio GranjaCoordenação: Rose Marie Inojosa

Local: UMAPAZ - Universidade Livre do Meio Ambiente e da Cultura de Paz

Hoje, quem conduziu o trabalho foi Fábio Lisboa, eu já o conhecia da UNIPAZ, nos encontros do CIT, Colégio Internacional de Terapeutas. A especialidade de Fábio Lisboa é contar estórias. E o faz muito bem. Para quem pensa que vai chegar e ser entupido por uma avalanche de teorias e conceitos, acaba se surpreendendo com a simplicidade, com a prática e inter-atividade o tempo todo, o que desperta em cada um o interesse em contribuir, participar e desenvolver a partir de si suas próprias habilidades e a praticar o tema proposto com os recursos intuitivos que cada um possui.

Que ao meu ver, já foi fazendo parte da introdução prática do exercício de novos valores, do desenvolvimento criativo, do respeito, do exercício de ouvir, da empatia e da criatividade, que pelo que eu pude entender, são habilidades internas, fundamentais para o papel do "Mediador de Conflitos". Adorei essa abordagem.

Fábio Lisboa, começou com uma dança sagrada, iniciando assim com o lúdico, permitindo e convidando à todos a experimentar o novo, através da dança.

Um grupo bem heterogêneo que acabou sendo muito bem integrado através das praticas propostas.

Também teve estórias, histórias e parábolas, e com isso, foi sendo transmitida de forma criativa e leve mensagens que levam a uma reflexão mas abrangente. Um aprendizado descontraido, criativo e prazeroso.

Quando se conta uma estória, se tem três níveis de alcance:

1) Entretenimento, 2) Simbolismo, 3) Espiritualidade.

A estória como forma de passar uma mensagem através de uma narrativa que produz um efeito.

Porque as Narrativas? A atividade do Mediador é não julgar, não ter intenções, diz Fábio.

Um conflito não é necessariamente algo ruim, mobiliza o crescimento.

A partir do momento que cada um sai de sua zona de conforto e vai buscar desvendar outros horizontes ele depara com outras pessoas, outros grupos, e nessa interação é possível a negociação, a troca, o aprendizado e o crescimento de ambas as pessoas envolvidas ou não e com isso podem surgir conflitos e esses, levar a confrontos e até guerras, é o que vemos na história.

Mas é importante estar aberto a novas idéias. De nada adianta obter um novo instrumento de uma nova cultura, civilização ou grupo social qualquer e continuar com os mesmos pensamentos, os mesmo condicionamentos mentais, usando um instrumento diferente para se fazer as mesmas coisas. É necessário a escuta efetiva sobre todas as possibilidades daquele objeto e o seu alcance para adequar-se ao seu próprio meio, obtendo ai resultados efetivos. Dai temos o desenvolvimento.

E através dos contos e das narrativas, foi se clareando temas como linguagem, troca, direitos e deveres, como nascem os conflitos, possibilidades de solução e o papel do mediador. A questão das diferenças, das linguagens de cada grupo e principalmente o que fica muito claro para mim o que cada palavra significa, pois podemos ter vários significados para cada palavra em contextos diferentes, ou simplesmente não conhecermos certos conceitos e definições e o quanto isso atrapalha no entendimento entre partes, se não for levado em consideração.

Quantos de nós, já não se viram em discussões sem fim, e no final, depois de muito tempo, alguém diz, "Acho que estamos falando a mesma coisa só que de formas diferentes." isso é muito comum acontecer. Eu já presenciei inúmeras vezes.

Temas bem delicados e contextos bem complexos foram abordados numa sala totalmente eclética, com pessoas das mas variadas e dos mais diversos setores. Foi curioso ver a pratica de um dialogo entre pessoas envolvendo questões regionais e ao mesmo tempo o meio ambiente, foi riquíssimo. Como cada um defende seus interesses e o papel do mediador para possibilitar uma solução que deve sair das próprias pessoas envolvidas.

O que ficou bem claro para mim é que o Mediador não é um Juiz, ele não está para fazer julgamentos, dar vereditos ou aconselhar, ele está ali para refletir junto, conduzindo habialmente o dialogo entre partes a fim de amolecer as defesas e possibilitar uma negociação ou solução que vai nascer das próprias pessoas envolvidas. Um pouco da linguagem e do entendimento do que se trata se faz necessário. Mas habilidades criativas, uma boa escuta e a empatia podem ser decisivas no papel de mediação de conflitos.

O que a gente percebe é que o Ser Humano quer ser amado, aceito, considerado, ouvido em sua necessidade e atendido em seu desejo. E isso é algo fundamental e inerente a condição da natureza do ser humano é o que todos buscam na essência de suas ações. É o conflito nasce no momento que não somos atendidos em nossos intentos. Por isso um conflito não é necessariamente negativo, pois através do impedimento, podem nascer novas possibilidades, novas visões, uma amadurecimento interno, uma visão mais ampla de tudo que esta envolvido, enfim, pode originar um crescimento, como também, nos leva a reflexão de que dependendo do apego por uma determinada solução ou objetivo, isso pode levar a um confronto e uma possivel rebelião, guerras e destruições que podem atingir grandes proporções.

E hoje pude entrar em contato com o lado prático, do dia a dia de muita gente que vive conflitos complexos, que podem levar a confrontos graves, e como é difícil lidar com esses problemas que envolvem individuos, familias e sua relação com o que ocorre em seu meio, levando em consideração as condições em que vivem, ou a falta de condições mínimas, obrigando a esses indivíduos a buscar soluções imediatas e com isso geram conflitos com outros meios, outros indivíduos e dando conseqüências negativas a toda sociedade.

Contextos maiores como comunidades, vivem situações bem mais difíceis em termos de conflitos, pois existem os conflitos internos, do individuo, que estende-se aos seus relacionamentos mas próximos e que vão se ampliando em conflitos entre tribos, grupos, comunidades, cidades e países. E tudo nasce no individuo e vai se propagando em seu meio. E exigem a integração de diversos fatores. Leis, Políticas Publicas, Ações Sociais, Urbanização, Fiscalização, Atendimento das necessidades básicas de sobrevivência, educação, marginalização, a má distribuição de renda e tanto outros fatores.

Por isso o papel relevante das lideranças, pois são pessoas chaves que podem dar uma nova direção e ai a importância de saber lidar com conflitos para desenvolver efetivamente uma cultura de paz e ajuda que o Mediador de conflitos pode trazer como inter-mediador de possíveis soluções.

Quem quiser pode acessar o Blog do Fabio

Quem quiser saber mas sobre a Universidade do Meio Ambiente entre na Umapaz

Cida Medeiros

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