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Além do Visível: O Vínculo Sutil e a Coragem de Habitar a Realidade

Onde esta a realidade? Na luz no fim do caminho ou no percurso?



Além do Visível: O Vínculo Sutil e a Coragem de Habitar a Realidade

Existe um tipo de vínculo que nasce no campo sutil. Ele não se ancora totalmente na realidade tangível, mas também não é meramente imaginário. É intenso, vivo e carregado de informações — e, justamente por isso, é um dos maiores desafios de metabolização para o nosso psiquismo.

Em minha caminhada como terapeuta integrativa, observo que muitos de nós buscamos mapas — seja na Astrologia, no Tarô ou em saberes ancestrais — para tentar explicar o que sentimos. No entanto, há um risco latente: o de usar o símbolo como uma fuga, uma forma de validar ilusões ou evitar o enfrentamento da realidade como ela se apresenta.

O Símbolo como Ferramenta de Regulação

Minha abordagem não utiliza o Tarô ou a Mandala Astrológica para adivinhações. Eu os compreendo como espelhos da neuropsicologia afetiva. Quando um tema emerge em uma leitura, ele nos revela como está o nosso processamento mental e nossa regulação emocional naquele momento.

O objetivo não é alimentar a espera passiva pelo destino, mas sim oferecer recursos para que o indivíduo possa integrar suas projeções e retornar ao seu eixo de autonomia. É o encontro da sabedoria arquetípica com a Teoria do Apego: como posso me sentir seguro em mim mesmo, sem me perder nos fios invisíveis das expectativas alheias?

A Prática da Auto-Purificação

Dentro desse processo, o Ho’oponopono surge como uma ferramenta de cura estritamente pessoal. É um caminho de 100% de responsabilidade. Não é algo que alguém possa fazer por você. É uma higiene interna, um compromisso individual de limpar as memórias e registros que distorcem a percepção da realidade. Ao assumirmos o comando da nossa própria limpeza, paramos de exigir que o mundo — ou o outro — se molde aos nossos desejos, encontrando a verdadeira Paz do Eu.

A Presença que Sustenta a Travessia

Para sustentar esse olhar profundo, busco na meditação e em estados de presença expandida (como os vivenciados em minhas formações na Índia e no movimento GAM) a base para uma escuta sensível. Essas práticas não são o fim, mas o meio: elas me permitem oferecer uma presença que não julga, mas que também não colude com a ilusão.

O trabalho na Clínica da Alma é, portanto, um convite à maturidade. É aprender a honrar o campo sutil, sem perder o chão da experiência humana. É transformar o "sentir" em consciência, e a consciência em vida plena.

Cida Medeiros



O Fio Invisível que vai Conectando: Da Vivência Simbólica à Consciência do Ser

"Imagem conceitual de raízes e luz representando a abordagem integrativa e sistêmica de Cida Medeiros."



O Fio que vai Conectando: Da Vivência Simbólica à Consciência do Ser

Por Cida Medeiros

Há um conceito na psicologia profunda, explorado por Edward Edinger em A Anatomia da Psique, que descreve a Coagulatio: o processo de dar corpo, estrutura e terra ao que antes era apenas vapor ou intuição. Olhando para a minha trajetória de mais de três décadas, percebo que vivi exatamente esse rito alquímico.

Minha caminhada não começou em bibliotecas, mas no campo — no sentir direto das dores que atravessam gerações e dos fios invisíveis que nos conectam. Honro profundamente o solo onde minhas primeiras raízes cresceram. A Paz Geia e a convivência com Carminha Levy foram o meu Temenos — o espaço sagrado onde o xamanismo e a vivência simbólica foram o útero da minha alma. Ali, aprendi que a vida é feita de símbolos e que o cuidado humano exige, antes de tudo, uma escuta sensível do invisível.

A Travessia pelo Silêncio

Muitos sentiram meu recolhimento nos últimos anos. Na jornada de Individuação, o silêncio não é ausência; é incubação. Vivi o que os alquimistas chamam de Nigredo — uma noite escura necessária para retirar projeções e descobrir quem é a Cida quando as luzes dos palcos institucionais se apagam.

Neste período, dediquei-me à graduação em Psicologia. Para mim, esse estudo foi o meu processo de Coagulatio. Foi o momento de dar nome, contorno e fundamentação teórica ao que o meu coração já sentia no pulsar do tambor e na observação dos campos sistêmicos. Hoje, não abandono minha história; eu a integro. A Terapeuta Integrativa que sou nasce da união entre o mistério da alma e o rigor do cuidado com a existência.

Integrando Saberes: O Acompanhar de Jornadas

Minha prática não se resume a técnicas isoladas, mas a um modo de acompanhar processos e jornadas, tanto individuais quanto em grupo. É um olhar que reconhece a dignidade do destino de cada um e a força dos movimentos sistêmicos. Nesta nova fase, minha atuação se fundamenta em pilares que dialogam com a consciência contemporânea:

  • Vínculos e Ancestralidade: Compreender nossas raízes é entender como nossos modelos de apego e nossa história familiar moldam nossa presença no mundo.

  • Flexibilidade e Presença: Inspirada pela fenomenologia e pela busca de sentido, convido o outro a uma regulação emocional vivencial, onde a dor não é algo a ser extirpado, mas um portal para a autotransformação.

  • A Linguagem Simbólica: O Tarô e a Mandala Astrológica permanecem como ferramentas de suporte à minha percepção. Eles não são o fim em si mesmos, mas mapas que iluminam o campo simbólico, ajudando a traduzir o que a psique ainda não consegue dizer em palavras durante nossos encontros.

  • A Biologia da Alma: Como o corpo guarda as marcas de nossa história, o trabalho integrativo passa pelo despertar da presença corpórea e pelo resgate da confiança no próprio Eu Essencial.

O Convite para a Morada Própria

Individuar-se é ter a coragem de carregar seus próprios livros e habitar sua própria morada interna. Deixo a casa dos mestres para habitar o meu próprio lugar de fala — um território onde a experiência acumulada se tornou medicina.

Tudo o que realizo hoje nasce da minha metodologia autoral: Clinica da Alma e da Consciência: a Abordagem Integrativa e Sistêmica da Alma. É um caminho de consciência e reconexão, onde sigo acompanhando aqueles que buscam pacificar suas memórias e florescer em sua essência.

Sigo com a certeza de que a fonte agora jorra de dentro. Convido você a acompanhar essa nova fase, onde a vivência se transformou em consciência e o caminhar se tornou destino.



Quando o silêncio do outro arruma a nossa casa: uma jornada de cura



Quando o silêncio do outro arruma a nossa casa: uma jornada de cura

Você já sentiu que a vida parou? Que aquele encontro esperado não acontece, ou que um projeto parece travado num "quase"? Muitas vezes, o desassossego que sentimos diante do silêncio alheio é, na verdade, um chamado urgente da nossa própria alma pedindo ordem.

O encontro como espelho da alma

Na visão de Carl Jung, o outro funciona como um espelho. Frequentemente, projetamos nossas necessidades e sombras naqueles que cruzam nosso caminho. Quando uma relação parece "travada", não estamos apenas diante de um impasse externo, mas de um convite para a individuação.

Esse hiato, esse "não acontecer", nos obriga a sair do conforto e mergulhar no que Jung chamava de "Noite Escura da Alma". É no silêncio do outro que somos forçados a acender nossa própria lanterna e buscar a nossa luz essencial, integrando partes nossas que estavam esquecidas ou desordenadas.

Organizar o templo para o amor fluir

Muitas vezes, buscamos um novo vínculo, mas nossa "casa interna" ainda está ocupada por memórias e presenças do passado. Sob o olhar da Visão Sistêmica, o amor só floresce quando estamos realmente disponíveis.

Estar disponível significa ter dado um lugar de honra a todos os que vieram antes. Se há desordem na casa — ou exclusões no sistema familiar, como entes que não foram vistos ou honrados — o fluxo do presente fica bloqueado. Quando você decide, por exemplo, organizar um espaço físico ou incluir simbolicamente aqueles que foram esquecidos, você está enviando um comando ao seu inconsciente: "Agora há lugar para o novo". A desordem externa é apenas um reflexo da alma pedindo paz.

Sincronicidade: o acaso como destino

A neurociência e a espiritualidade se encontram em um ponto comum: a percepção. Às vezes, o "atraso" de um evento ou a confusão de um cronograma são manifestações de Sincronicidade.

Eventos que parecem casuais estão, muitas vezes, conectados por um sentido profundo. O "caos" do dia a dia é o instrumento que o Universo utiliza para nos colocar diante das situações e pessoas certas no tempo exato da nossa maturidade interna. Talvez o silêncio que você recebe hoje seja o tempo que você precisa para que a "mágica" da vida organize os bastidores para um encontro muito mais íntegro.

Um convite à presença

O amor e os vínculos saudáveis nascem da harmonia entre dois sistemas que aprenderam a se respeitar. Quando paramos de lutar contra a espera e passamos a habitar nossa presença corporal e segurança interna, algo muda no campo.

Se você sente que sua vida precisa desse movimento de organização e clareza, estou aqui para acompanhar sua travessia.


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