O Labirinto da Mãe e o Fio de Ouro da Nutrição
Por: Cida Medeiros
Muitos de nós passamos a vida batendo nos muros de um labirinto invisível. Esse labirinto tem um nome: Invalidação. Ele é construído tijolo por tijolo quando o fluxo do amor — aquele movimento primordial em direção à fonte, à Mãe — foi interrompido.
Seja pelo destino, pela dor dela ou pela nossa, essa interrupção cria uma "geometria da dor" que tentamos resolver no mundo externo: buscamos o mestre perfeito, a graduação definitiva, o aplauso do público. Mas a saída, como ensinam muitos mestres — um deles Rudhyar —, nunca esteve "lá fora".
A Armadilha da Condenação
Hoje, muitas abordagens oferecem uma saída que parece libertadora, mas é incompleta: elas convidam você a condenar a origem, projetando no 'outro' (a mãe, o pai, o passado) a causa única de toda estagnação.
Elas convidam você a condenar a origem, a colocar o "outro" (a mãe, o pai, o passado) como o problema. Mas, no momento em que você condena a fonte da sua vida, você cria uma exclusão sistêmica dentro de si mesmo. Você se torna um reino dividido. "Ninguém prospera enquanto despreza a raiz que o sustenta". Isto quer dizer que a verdadeira expansão acontece quando fazemos as pazes com a nossa base; ao acolhermos nossa história, liberamos a energia necessária para criar o novo.
O que quero dizer com "Ninguém prospera"? Jung diria que a verdadeira "prosperidade" (ou individuação) não é o sucesso material, mas a capacidade de ser inteiro. Se eu nego de onde vim, uma parte da minha energia fica "represada" lá atrás, lutando para ser reconhecida.
A verdadeira luz não vem da negação da dor, mas da sua transmutação. É olhar para a "Mãe Real" — aquela que deu a vida, com todas as suas limitações — e dizer: "O que você me deu foi o suficiente, porque através disso, eu cheguei até aqui". Você está limpando bloqueios e permitindo a vida fluir com mais espaço para criação.
A Metáfora do Poço e a Estrela
Para você que lê estas palavras e sente o peso da invalidação alheia, guarde esta imagem no seu coração: Imagine que sua alma é um poço profundo. No fundo desse poço, há uma água escura e fria — é a dor do amor interrompido, o medo de não ser digno.
Durante muito tempo, você jogou pedras nesse poço, tentando enchê-lo para não ver o fundo. As pedras são as formações, as defesas e as brigas por poder. Mas a água continua lá.
A saída do labirinto acontece quando você para de jogar pedras e se torna a Estrela que brilha sobre o poço. Quando a luz da sua consciência (o seu Self) toca a água escura, ela não a expulsa. Ela a reflete. De repente, você percebe que a água escura não era o seu inimigo; era o seu espelho. A profundidade da sua dor é exatamente a medida da sua capacidade de nutrir. Você só pode levar o outro até onde você teve coragem de mergulhar.
Confie na Geometria da sua Alma
A invalidação externa é apenas o eco de uma porta que você ainda mantém fechada por dentro. Quando você olha para a fonte sem desrespeitar, sem diminuir e sem condenar, você retoma o seu lugar no fluxo.
Você não precisa de muletas quando descobre que a vida que flui em você é maior que qualquer julgamento acadêmico ou falha sistêmica. O seu Self é o mestre que nunca o invalida.
Essa percepção das dinâmicas ocultas do amor é o que fundamenta o trabalho na Clínica da Alma, metodologia que criei ao longo de anos de prática e estudo. Através da leitura sistêmica, conseguimos tornar visível o invisível, utilizando imagens mentais e âncoras no atendimento individual, ou a força do campo nos trabalhos em grupo. Embora inspirada nas ordens sistêmicas, essa abordagem carrega minha assinatura autoral e integra todo o conhecimento que venho desenvolvendo na minha jornada como terapeuta — é o meu jeito de olhar para a alma e facilitar o retorno ao fluxo da vida.
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