O que é o medo de abandono (e por que ele sabota suas relacionamentos)?
1. Reconhecendo o abandono e seus rastros
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Abandono precoce ativa um padrão de sobrevivência emocional muito profundo. A pessoa cresce com medo constante de rejeição, o que pode levar ao comportamento ansioso ou de apego excessivo.
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A resposta do sistema nervoso nesses casos não é lutar, fugir ou congelar: é tentar se ligar intensamente aos outros na esperança de não ser deixado para trás.
2. Como o abandono se manifesta na vida adulta
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Pode gerar comportamentos como se sacrificar para evitar abandono, ou então atitudes “grudentas” em relacionamentos
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Muitas vezes a pessoa questiona o próprio valor, interpretando o comportamento alheio como rejeição, mesmo quando não há motivos claros
3. Principais erros comuns — e como evitá-los (segundo Christine Padesky, PhD)
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Um erro é manter relações de dependência por medo de causar rejeição ao se “separar” emocionalmente
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A terapia nem sempre precisa ser prolongada por mais tempo do que o necessário: estudos mostram que o medo de abandono pode diminuir meses após o término da terapia, sem necessidade de prolongar o vínculo terapêutico
4. Estratégias práticas sugeridas pelos especialistas
Fortalecer a autorregulação emocional
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Técnicas somáticas (do corpo) ajudam a identificar quando o corpo reage ao medo de abandono. Por exemplo, segurar um objeto como forma de aconchego e depois praticar soltar o objeto – físico e simbolicamente – como exercício de tolerância à insegurança
Regulando a mente e o sistema nervoso
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Integrar práticas de mindfulness, respiração e consciência corporal ajuda a acalmar o sistema defensivo interno, especialmente quando disparado pelo medo de rejeição
Reestruturando crenças sobre rejeição e vergonha
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Enfrentar pensamentos automáticos sobre “não ser bom o suficiente”, reavaliando-os com evidências, ajuda a soltar o ciclo de vergonha e medo
Recuperando limites e autonomia
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Reconhecer armas de defesa como o "please and appease" (agradar excessivamente) e aprender a estabelecer e manter limites saudáveis, mesmo que isso gere desconforto
5. Exercício reflexivo para o leitor
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Que memórias ou padrões surgem quando você se sente inseguro (p.ex. em relacionamentos)?
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Como seu corpo reage (tensão, frio, angústia)?
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Quais crenças ligadas ao passado estão sendo repassadas no presente?
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Que pequenas ações você pode tomar hoje para se autorregular (respiração, escrita, conselhos de confiança)?
Esse tipo de reflexão abre espaço para uma mudança consciente.
6. E agora, que tal buscar apoio?
Se você se identifica com essas sensações:
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Considere procurar um(a) terapeuta especializado em trauma, apego ou EMDR.
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Inicie pequenas práticas de autocuidado emocional (por exemplo, técnicas de respiração ou escrita guiada).
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Reserve tempo para observar seus padrões de apego e solidão. Identificar é o primeiro passo para reconectar com você mesmo.
7. Inclua práticas Holísticas
Conclusão
O abandono não define sua trajetória — mas reconhecer seus sinais, entender como ele molda reações e buscar apoio profissional pode transformar sua relação consigo mesmo e com os outros. A culpa, o medo ou a vergonha podem diminuir quando você se conecta ao seu próprio valor.
Cida Medeiros
Terapeuta a Escuta do Ser, com praticas integrativas, holísticas e sistêmicas.
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