A Travessia da Ponte Invisível
Havia uma jovem chamada Elara que vivia em um vilarejo rodeado por montanhas. Desde pequena, ouviu histórias de que do outro lado da cordilheira existia um vale encantado, onde as pessoas viviam em paz, com abundância e liberdade.
Mas havia um problema: entre o vilarejo e o vale, havia um desfiladeiro profundo. Diziam que só era possível atravessar por uma ponte... invisível. Só quem tivesse fé em si e coragem no coração conseguiria enxergá-la com os pés.
Durante anos, Elara observava a neblina densa cobrindo o abismo. Sonhava com a travessia, mas recuava. Um dia, ao ver o reflexo da própria inquietação nos olhos de sua irmã mais nova, decidiu partir.
No início da jornada, sentou-se diante do desfiladeiro e se fez uma pergunta:
— Qual é a situação?
"Estou diante do abismo entre o que sou agora e o que posso me tornar. Quero atravessar, mas não sei se posso."
— O que estou pensando ou imaginando?
"Estou imaginando que vou cair. Que sou fraca. Que nunca vou conseguir."
— Como este pensamento me faz sentir?
"Assustada, pequena, impotente. Como se estivesse paralisada diante do impossível."
— O que me faz sentir que o pensamento é verdadeiro?
"As vezes que tentei e falhei. As críticas que recebi. O silêncio que me acostumei a suportar."
— E o que me faz sentir que esse pensamento não é verdadeiro?
"As vezes em que me levantei mesmo quando caí. O brilho nos olhos da minha irmã. A centelha que ainda queima em mim toda vez que penso em atravessar."
Elara fechou os olhos, respirou fundo e deu um passo. O pé flutuou no ar... e encontrou firmeza. Um primeiro pedaço da ponte havia se revelado.
— Qual outro jeito de olhar para isto?
"Talvez não seja sobre evitar o medo, mas atravessar com ele. Talvez o medo não seja o inimigo... mas o guia."
Continuando, sentia o vento forte e a neblina densa.
— Qual é o pior que poderia acontecer? E o que eu poderia fazer então?
"Eu posso escorregar, me machucar, me perder. E se isso acontecer... posso pedir ajuda, posso voltar e tentar de novo. Cair não é o fim."
— Qual é o melhor que poderia acontecer?
"Eu posso atravessar. Descobrir quem realmente sou. Ver o vale com meus próprios olhos. Inspirar outros a fazerem o mesmo."
— O que provavelmente aconteceria?
"Talvez eu escorregue um pouco, talvez chore no caminho. Mas se continuar passo a passo, vou chegar."
— O que poderia acontecer se eu mudar meu pensamento?
"Se eu pensar que a ponte aparece com cada passo firme, posso seguir mesmo com medo. Posso me tornar aquela que confia no invisível."
— O que eu diria a um amigo se isso acontecesse com ele?
"Eu diria: ‘Vai com medo mesmo. Você não precisa estar pronto, só precisa estar disposto. O caminho se faz caminhando.’"
E então, diante do último trecho da travessia, Elara fez uma última pergunta a si mesma:
— O que devo fazer agora?
Ela sorriu, enxugou uma lágrima que escorria de leve e respondeu em voz baixa:
— Continuar. Porque a ponte invisível não aparece para quem espera. Ela se revela para quem caminha.
Moral:
A consciência se expande quando você ousa questionar a própria mente.Cada pensamento é como uma névoa: pode obscurecer ou revelar.
A travessia da transformação começa por dentro — e a ponte é construída com escolhas
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