A Renúncia por Cida Medeiros


Significado: Renunciar, não querer, rejeitar.

Renúncia também pode ser considerado um ato espiritual, para o aprimoramento do 
espirito, para elevação, e para se alcançar um bem maior.

Todo ato que dignifica o ser numa escala de valores morais e éticos precede sempre 
um ato de renúncia face a jornada da alma rumo a Ascensão Espiritual.



Não é nada fácil para o aspirante do caminho sagrado seguir a estrada de 
valores humanos e a senda do meio.

Subir um degrau de entendimento, na escalada divina, nos obriga a nós diferenciar, 
não para ferir o outro, mais para estar com a consciência em paz e tranquilo pelo 
cumprimento de dever.

Porém, pasme, muitos se afastam.

Não compreendem que o que fazemos é para nos mantermos em sintonia com as
virtudes do espirito.

Queremos alcançar o voo da águia, e nos deparamos, com as bicadas das rapinas.

Queremos promover a paz, e nos deparamos com a guerra.

Renunciamos a guerra e nos deparamos com a indiferença.

Alcançamos méritos, por esforços dignos e nós deparamos com a inveja dos que 
não sabem celebrar e reconhecer suas próprias vitorias.

Tenhamos que definitivamente renunciar ao protótipo modelo social e nos conscientizar 
da quantidade de energia que cada um carrega para cumprir sua jornada.

Definitivamente, renunciar modelos, que mais nos oprime que nos ajuda.

Encontrar o senso de limite e se fortalecer naquilo que cada um é.

E a partir de sua realidade interior, construir um novo caminho.

Curar a si mesmo, antes de mais nada significa reconhecer a si mesmo.

Vamos honrar o caminho trilhado por cada um, silenciar diante das diferenças.

Se somos obra de Deus, devemos sustentar uma quantidade possível de sua energia 
amorosa em nossos espíritos, porém, jamais querer sê-lo.

Podemos ser inteiros, mas jamais seremos perfeito. A perfeição não é humana, a 
perfeição é um ato divino, a ser alcançado por inúmeros planos de consciência.

E muitos deles, não estão ao alcance da matéria. Só para Budhissatwas.

Muitos degraus de consciência são necessários subir para alcançar níveis superiores 
de entendimento e graus superiores de compreensão.

Na vida, somos confrontados inúmeras vezes com situações das quais é difícil abrir mão 
mas que embora nos cause pesar, dor e lamentação, o melhor caminho é fazer a renuncia.

O que podemos renunciar:

- Uma postura de superioridade, que mascara uma vulnerabilidade interior.

- Abrir mão de convicções que se defrontam com a realidade e a fazem desabar.

- Flexibilizar uma postura regida de superioridade moral quando defrontado com a sombra.

- Um saber que se confronta com um saber superior e desaba as crenças antigas.

- Renuncia por um ideal que se mostrou intangível. E adequar-se aos limites da realidade.

- Uma auto-imagem idealizada que mascara o eu mais profundo.

- Valores duvidosos para se seguir rumo a novos valores.

- Renuncia como ato de pura humildade, quando percebemos o limite de uma situação.

- Deixar ir, muitas vezes pessoas que amamos, numa entrega absoluta, para que uma nova ordem se estabeleça.

- Sair de uma posição de soberbia e se adequar a um novo padrão econômico.

- Renunciar a uma crença, para se atingir uma meta maior.

- O Orgulho, a vaidade, a postura de superioridade que só fere o outro.

Para complementar este artigo, escrito por mim, Cida Medeiros, venho transcrever as

palavras de Bert Hellinger, do Livro Ordens do Amor, da editora Cultrix: Onde a

referencia da renúncia se faz no processo das Constelações Familiares, onde

muitas vezes temos que renunciar uma percepção de realidade e se abrir para um

conhecimento novo. Mais amplo, mais enriquecedor, porém, assustador, face a descoberta

de enigmas ocultos.

Bert Hellinger, diz:

O primeiro pressuposto para alcançar essa compreensão é a ausência de intenção.

Quem mantém intenções impõe à realidade algo de seu; talvez pretenda alterá-la a partir de

uma imagem preconcebida ou influenciar e convencer outras pessoas de acordo com ela.

Procedendo assim, procede como se estivesse numa posição superior face à realidade;

como se ela fosse um objeto para a sua subjetividade e não fosse ele, ao invés, o objeto da realidade.

Aqui fica evidente o tipo de renúncia exigida de nós para abdicarmos de nossas intenções,

inclusive das boas intenções. Além do mais, o próprio bom senso exige essa renúncia,

pois a experiencia nos mostra que frequentemente sai errado o que fazemos com boa intenção

ou até mesmo com a melhor das intenções. A intenção não substitui a compreensão.


Cida Medeiros

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