
Qual é a minha contribuição na NR-1 como psicoterapeuta integrativa?
Tenho acompanhado, com atenção e cuidado, o crescimento das discussões sobre NR-1, saúde mental no trabalho e riscos psicossociais.
Junto com isso, surge uma pergunta legítima — que também é minha:
Como eu, sendo psicoterapeuta integrativa, com formação em Psicologia e atuando de forma independente, posso contribuir de forma ética nesse campo?
Essa reflexão não nasce do desejo de ocupar todos os lugares, mas exatamente do contrário: nasce do respeito aos limites e à responsabilidade que a NR-1 exige.
Meu lugar não é o da promessa fácil — é o da sustentação do processo
A NR-1 não se implanta apenas com conhecimento técnico ou com documentos bem escritos.
Ela se sustenta na vida real do trabalho, onde existem pessoas, relações, tensões, resistências e limites humanos.
Minha contribuição acontece onde a técnica sozinha não alcança.
1️⃣ Leitura e identificação de riscos psicossociais reais
Muitos Programas de Gerenciamento de Riscos falham porque:
listam riscos genéricos
não escutam quem trabalha
reduzem sofrimento a “estresse”
ignoram o clima emocional das equipes
Com minha formação, posso contribuir ajudando a:
identificar riscos psicossociais reais, não abstratos
diferenciar cansaço pontual de sobrecarga crônica
traduzir sofrimento difuso em elementos compreensíveis para o GRO
Essa leitura não é clínica.
É preventiva, institucional e relacional.
2️⃣ Escuta institucional (não clínica)
Meu trabalho não é diagnosticar, tratar transtornos ou fazer psicoterapia psicológica dentro das empresas.
Minha contribuição está em:
criar espaços de escuta coletiva
facilitar conversas difíceis
apoiar equipes a nomear o que está adoecendo
ajudar a organização a ouvir o que costuma ser silenciado
Escuta institucional não é clínica.
É cuidado preventivo e organizacional.
3️⃣ Apoio à construção de ações possíveis
Muitos planos falham porque são:
idealizados
desconectados da cultura
impossíveis de sustentar
Com um olhar sistêmico, posso ajudar a:
transformar problemas difusos em ações possíveis
apoiar lideranças na compreensão de limites humanos
mediar expectativas entre gestão e equipes
sustentar mudanças pequenas, mas reais
Prevenção acontece no possível — não no ideal.
4️⃣ Sustentação humana dos processos ao longo do tempo
A NR-1 não pede eventos isolados.
Ela pede continuidade.
Posso contribuir ao:
acompanhar processos de mudança
apoiar gestores no manejo emocional das equipes
ajudar a organização a não desistir no primeiro conflito
lembrar que prevenção é processo, não solução instantânea
É aqui que muitos projetos morrem — e onde o cuidado precisa permanecer.
🚫 O que eu não faço — e não prometo
É importante nomear com clareza.
Eu não:
assumo responsabilidade técnica pela NR-1
prometo implantação completa
substituo profissionais de SST
vendo atalhos ou resultados rápidos
confundo prevenção com clínica
Meu compromisso é com clareza, ética e sustentação real.
Como eu nomeio minha atuação
Hoje, posso dizer com tranquilidade:
Atuo no apoio à implantação da NR-1 a partir de uma perspectiva integrativa, sistêmica e preventiva, especialmente na identificação de riscos psicossociais, escuta institucional e sustentação humana dos processos.
Esse lugar é verdadeiro para mim.
E necessário para o campo.
Para fechar
A NR-1 não se sustenta apenas com técnica.
Ela precisa de leitura humana, escuta, maturidade relacional e responsabilidade coletiva.
É aí que minha atuação encontra sentido.
Leia também:
– NR-1 e Saúde Mental no Trabalho
– Quem pode atuar com saúde mental no trabalho
– Quem pode habilitar profissionais para atuar com a NR-1
– Saber a NR-1 não é o mesmo que saber implantá-la
Cida Medeiros
Sou psicoterapeuta integrativa, com formação em Psicologia, e atuo de forma independente, integrando abordagens sistêmicas, cuidado emocional e práticas preventivas.
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