Bem Vindo ao Blog Cida Medeiros! Caleidoscópio do Saber com Cida Medeiros

A Neurociência do Silêncio: Como a Mente se Cura

 




A Neurociência do Silêncio: Como a Mente se Cura

O encontro entre a Autoindagação e a Neuroplasticidade

Você já percebeu que o seu cérebro é um reflexo dos seus pensamentos mais profundos? Na ciência, chamamos isso de neuroplasticidade — a capacidade do cérebro de se remodelar conforme novas experiências e estímulos. Em meu trabalho com a multidimensionalidade humana, vejo isso acontecer todos os dias quando unimos a biologia ao campo energético.

O mestre indiano Sri Ramana Maharshi sempre ensinou o caminho da Autoindagação ("Quem sou eu?"). No silêncio dessa pergunta, a mente para de repetir padrões traumáticos. Curiosamente, a neurociência moderna, como explorado por Norman Doidge, confirma que mudar o foco da nossa atenção e "limpar" ruídos mentais pode literalmente curar lesões e reorganizar circuitos cerebrais.

A Limpeza que o Cérebro e o Campo Precisam

Assim como o cérebro precisa de novos caminhos neurais para se curar, nosso campo energético precisa de fluidez. É aqui que entra a técnica de Quelação (da linhagem de Barbara Ann Brennan).

A Quelação atua como um "detox" energético, removendo bloqueios nos chacras que muitas vezes sustentam crenças limitantes e dores físicas. Quando limpamos o campo:

  1. O Sistema Nervoso se acalma: Facilitando a autorregulação (Teoria Polivagal).

  2. A Glândula Pineal se ativa: Melhorando nossa conexão com a intuição.

  3. A Mente se torna Livre: Como propõe o Dr. Steven Hayes, permitindo que você foque no que realmente importa.

Toque na Alma: O Convite ao Despertar

Não somos apenas carne e osso; somos uma sinfonia de frequências. Se você sente que sua mente está "congestionada" ou que seu corpo guarda marcas de traumas antigos, talvez o que você precise não seja de mais informação, mas de uma reorganização profunda.

O silêncio de Maharshi não é vazio; é pleno de potencial de cura. A Quelação não é apenas energia; é um ajuste fino na sua biologia sutil.

Você está pronto para reprogramar sua mente e alinhar sua energia?

Se essas conexões ressoaram em você, convido-o a seguir nosso blog para mais reflexões sobre trauma, neurociência e espiritualidade. Se sentir que é o momento de uma intervenção mais profunda e personalizada, preencha o formulário de contato. Vamos juntos mapear o seu campo e despertar o curador que habita em você.


Cida Medeiros

O Fio de Ariadne: Por que abri meu baú de 1998?


O Fio de Ariadne: Por que abri meu baú de 1998?

Nota da Autora: Este blog é o registro vivo da minha caminhada. Aqui você encontrará postagens que datam de 1998 até os dias de hoje — são mais de 1.700 registros. Decidi manter e atualizar este acervo para que ele sirva como o meu próprio "Fio de Ariadne", um testemunho de uma jornada de mais de 30 anos de investigação da alma humana. O que você lê aqui é o fruto de uma busca incansável: inúmeras imersões, viagens de autoconhecimento, treinamentos no Brasil e no exterior, além de anos de supervisão e terapia pessoal. Este post é o meu manifesto de integração; a síntese de tudo o que vivi e estudei para oferecer suporte e ferramentas para a sua própria jornada de transformação.


O Que é o Fio de Ariadne?

Na mitologia grega, o herói Teseu precisava entrar no Labirinto de Creta para enfrentar o Minotauro. O desafio não era apenas vencer o monstro, mas conseguir voltar do labirinto, que era tão complexo que ninguém achava a saída. Ariadne entregou-lhe um novelo de fio, que ele amarrou na entrada e foi desenrolando conforme avançava. Foi esse fio que permitiu que ele enfrentasse o perigo e regressasse em segurança.

Para mim, este fio representa a Consciência e o Self. No consultório, o labirinto são os emaranhados ancestrais e os traumas que paralisam. O fio é o que eu ofereço: a segurança de que podemos mergulhar nas sombras, com a confiança de que existe um caminho de volta.

A Jornada entre Territórios: Do Xamanismo à Neurociência

Muitas vezes, tentamos validar o nosso crescimento diminuindo quem fomos no passado. Mas a verdade é que o Self não descarta nada. Minha vida sempre foi imersa no mundo espiritual. Atravessei religiões, vivi o Xamanismo, honrei guias e bebi da sabedoria das plantas de poder, vivi jornadas profundas de autoconhecimento na Índia e estive com muitos Mestres que somaram muito em minha trajetória.

A busca pela ciência (como a Teoria Polivagal, ACT e a Neurociência) não veio para substituir a minha fé, mas para dar nome, corpo e validação à riqueza da vida que eu já sentia pulsar. Buscar a ciência foi a forma que encontrei de perceber a vida como um todo e validar as experiências de conexão que hoje se tornam ferramentas clínicas de precisão.

A Maior de Todas as Pedras

A maior pedra que encontrei no caminho não foi externa. Foi a dureza do meu próprio coração, que aprendeu a ser rígido para se defender.

Trabalhar sobre si mesmo não nos torna imunes à dor. Mesmo após décadas de aprimoramento e tantas formações, o confronto com feridas antigas acontece. A diferença é que hoje, através da consciência, eu escolho novas maneiras de me acolher. Eu escolho o perdão e o autoperdão. Eu permito-me o luto e o lamento pelo que não pôde dar certo, transformando a paralisia do trauma em consciência e escolha.

O Valor de Quem já fez as Travessias

Vivemos num tempo de "curas rápidas". Mas superar traumas familiares é uma jornada de desidentificação de padrões que não nos pertencem. É um processo de paciência e observação, onde percebemos que, muitas vezes, estamos a ser guiados pelo Self, mesmo nas experiências difíceis que nos fazem amadurecer.

Neste blog, você encontrará essa integração:

  • O acolhimento de quem conhece as dimensões profundas da alma.

  • A precisão de quem entende como o sistema nervoso reage ao trauma.

  • A sabedoria de quem sabe que o autoconhecimento é libertador quando nomeamos os nossos processos e trocamos a lente pela qual vemos o mundo.

Se se sente perdido nos seus próprios labirintos, saiba que ter ao lado alguém que já fez muitas travessias faz toda a diferença. O apoio de quem conhece o território ajuda o Self a brilhar através da sua psique.

Cida Medeiros



Feridas da Alma: a crença que silenciosamente dirige a sua vida


Feridas da Alma: a crença que silenciosamente dirige a sua vida

Ela sempre sentiu que precisava se esforçar mais do que os outros.
Que precisava provar seu valor.
Que nunca era suficiente.

Mesmo quando fazia tudo certo, uma voz interna sussurrava:
“Você não é boa o bastante.”

Ela não sabia, mas aquela frase não era apenas um pensamento.
Era uma ferida.
Era uma crença.
Era uma programação emocional que vinha sendo construída desde muito cedo.

E, sem perceber, ela passou a viver para confirmar essa dor.


Quando a dor vira verdade

Na infância, talvez tenha ouvido críticas demais.
Talvez tenha sido comparada.
Talvez tenha sentido que precisava ser perfeita para ser amada.

A criança não questiona.
Ela acredita.

E assim nasce uma crença central:

“Eu sou inferior.”
“Eu não sou importante.”
“Eu não sou digna de amor.”

Essas frases silenciosas se tornam filtros invisíveis.
Tudo passa por eles.

E a vida começa a ser interpretada a partir dessa dor.


O dia em que tudo parecia normal… mas não era

Ela mandou uma mensagem.
A pessoa não respondeu.

Nada demais, certo?

Mas seu coração apertou.
A mente disparou:

— “Eu devo ter falado algo errado.”
— “Não sou importante.”
— “Sempre sou esquecida.”

A tristeza veio.
O medo veio.
A vontade de se afastar veio.

E ela nem percebeu que não estava reagindo à situação.
Estava reagindo à ferida.


A mente não reage à realidade. Ela reage às crenças.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, aprendemos que:

Não é a situação que gera sofrimento.
É a interpretação que fazemos dela.

Funciona assim:

Situação: alguém não responde
Pensamento automático: “não sou importante”
Emoção: tristeza, ansiedade, rejeição
Comportamento: se afasta, se fecha, se cala

Mas por trás desse pensamento existe algo mais profundo:

Uma crença central.

Uma verdade emocional construída na dor.


As feridas da alma moldam escolhas, relações e destinos

Quando alguém acredita que é inferior, passa a:

  • aceitar menos do que merece

  • se comparar constantemente

  • se sabotar

  • se esconder

  • se diminuir

  • se calar

E, sem perceber, cria uma vida compatível com essa dor.

A mente não busca felicidade.
Ela busca coerência.

Ela tenta provar aquilo que acredita.


O início da cura: quando a consciência desperta

Um dia, ela se perguntou:

“Por que eu sempre me sinto assim?”
“Por que eu sempre acho que não sou suficiente?”
“De onde vem essa dor?”

E essa pergunta mudou tudo.

Porque a cura começa quando a ferida é vista.
Quando a crença é revelada.
Quando a alma é escutada.


Crenças podem ser transformadas

A boa notícia é:
crenças não são quem você é.

Elas são histórias que sua mente aprendeu a contar.

E toda história pode ser ressignificada.

Quando você aprende a identificar seus pensamentos automáticos…
Quando você reconhece os padrões emocionais que se repetem…
Quando você acessa a raiz da dor…

Você recupera o poder sobre sua própria vida.

Você deixa de viver no piloto automático da ferida.
E passa a escolher a partir da consciência.


Você não é a sua ferida

Você é a força que sobreviveu.
Você é a alma que sentiu demais.
Você é a luz que continua tentando amar, apesar de tudo.

Curar não é apagar o passado.
É libertar o presente.

É trocar:

“Eu sou inferior”
por
“Eu tenho valor.”
“Eu sou suficiente.”
“Eu mereço amor.”

Porque você não veio ao mundo para sobreviver.
Você veio para florescer.


E toda ferida que é acolhida… se transforma em sabedoria.



Cida Medeiros 

Quando o corpo trava, a alma pede presença

 


Quando o corpo trava, a alma pede presença

Você já percebeu como, em alguns momentos da vida, o corpo simplesmente desliga?

A mente quer seguir, tomar decisões, resolver, mas o corpo não responde. Vem o cansaço inexplicável, a falta de energia, a ansiedade que não passa, a sensação de estar paralisada(o) por dentro. Como se algo em você tivesse apertado um botão de emergência.

Isso não é fraqueza.
Não é preguiça.
E muito menos falta de força de vontade.

Isso é o seu sistema nervoso tentando te proteger.


O que está acontecendo de verdade

Segundo a neurociência do trauma, especialmente os estudos de Bessel van der Kolk, o corpo guarda experiências que a mente não conseguiu elaborar. Quando algo foi vivido como ameaça, abandono, rejeição ou violência, o organismo aprende a reagir automaticamente.

Stephen Porges, com a Teoria Polivagal, nos mostra que, diante do perigo, nosso sistema nervoso pode entrar em três estados principais:

  • Vaso ventral: quando nos sentimos seguros, conectados e presentes.

  • Simpático: quando entramos em luta ou fuga.

  • Vago dorsal: quando o corpo entra em colapso, congelamento ou desligamento.

Muitas pessoas vivem grande parte da vida presas nesse terceiro estado: funcionando por fora, mas desconectadas por dentro.

Gabor Maté nos lembra que o trauma não é apenas o que aconteceu, mas o que aconteceu dentro de nós quando não tivemos apoio suficiente para atravessar uma experiência difícil.

O corpo não esquece.
Ele aprende a sobreviver.


Quando a alma perde o eixo

Na psicologia profunda de Carl Jung, esse estado de desconexão aparece como um afastamento do eixo entre Ego e Self. A pessoa perde o contato com sua fonte interna, com sua identidade profunda, com o centro que dá sentido e direção à vida.

Aos poucos, surgem:

  • sensação de vazio

  • dificuldade de se posicionar

  • medo de errar

  • dependência emocional

  • repetição de padrões de sofrimento

  • relações que adoecem

  • baixa autoestima

  • perda de sentido

Na terapia sistêmica, vemos que muitos desses padrões são sustentados por vínculos familiares, lealdades invisíveis e triangulações que mantêm a pessoa presa a histórias que não são mais suas.

E, na base de tudo isso, está quase sempre um corpo que aprendeu a viver em estado de ameaça.


Trauma não é fraqueza. É adaptação.

O trauma não é sinal de fragilidade.
É sinal de que você fez o melhor que podia com os recursos que tinha.

Mas aquilo que um dia te protegeu pode hoje estar te impedindo de viver.

Por isso, não basta entender com a cabeça.
É preciso envolver o corpo.
É preciso restaurar a sensação de segurança interna.
É preciso reconstruir o eixo.

A verdadeira cura acontece quando o corpo volta a sentir que o presente é um lugar seguro.


Reconectar-se com a própria fonte interna

Existe um caminho possível.

Um caminho de retorno ao corpo.
De retorno à presença.
De retorno à consciência.
De retorno ao seu centro.

Um caminho onde você aprende a reconhecer seus estados internos, regular suas emoções, dissolver padrões inconscientes, integrar sua história e reconstruir sua autonomia.

Um caminho de reconexão com a sua própria fonte interna.

Não se trata de apagar o passado.
Mas de libertar o presente.

Não se trata de se tornar outra pessoa.
Mas de se tornar, com mais consciência, quem você já é.


Se algo neste texto tocou você, talvez não seja por acaso.

Algumas travessias não precisam ser solitárias.


Cida Medeiros



Além da Paralisia: Como o Corpo e a Mente Respondem ao Medo, Trauma e Ameaça

 



Além da Paralisia: Como o Corpo e a Mente Respondem ao Medo, Trauma e Ameaça



Em situações de ameaça intensa — física, emocional ou relacional — o corpo pode entrar em um estado de paralisia involuntária. Esse fenômeno não é “falta de força” ou fraqueza de caráter; ele é uma resposta neurobiológica de sobrevivência profundamente enraizada no sistema nervoso.

Quando todas as estratégias de defesa parecem se esgotar (luta, fuga, participação), surge um estado em que o corpo simplesmente congela. Isso está documentado em estudos sobre respostas automáticas de sobrevivência, incluindo reações que ocorrem no contexto de violência ou ameaça extrema — onde o organismo literalmente suspende o movimento até que a sensação de segurança interna retorne. 

Essa resposta não é “irreal” nem simbólica apenas; ela está corporificada. A perspectiva da cognição corporificada sugere que a mente não existe separada do corpo, mas está profundamente entrelaçada com ele — e nossa experiência emocional e cognitiva se dá justamente através desse corpo que sente. 

Na linguagem da Teoria Polivagal, o sistema nervoso reage a ameaças percebidas ativando fases diferentes de resposta:

• o vaso ventral, associado à presença segura e conexão;
• o simpático, associado à mobilização (luta/fuga);
• o vago dorsal, que pode levar ao congelamento ou paralisia.

Quando a sensação de perigo ultrapassa a capacidade do organismo de reagir com luta ou fuga, o sistema nervoso pode “desligar” temporariamente partes da experiência consciente — como uma tentativa extrema de proteção contra o impacto da ameaça.

Esse estado não é uma escolha, nem algo que simplesmente se supere pela vontade. Ele é uma resposta automática que já foi útil em contextos de perigo real e intenso.

É exatamente nesse ponto que a trauma informado (atenção fundamentada na neurobiologia do trauma) nos encontramos: entender que o corpo guarda essas respostas, e que elas não estão “muito longe” da mente — elas são linguagem somática do que ainda não foi integrado pela consciência.

Carl Jung falaria aqui de uma dissociação entre aquilo que se vivencia e aquilo que se percebe; Viktor Frankl diria que mesmo nas mais profundas limitações de resposta há um núcleo de sentido que pode ser encontrado; e Gabor Maté lembraria que essas respostas são adaptações — não falhas — de sobrevivência.

Do ponto de vista terapêutico, o que importa não é simplesmente “sair da paralisia”, mas entender, sentir com segurança e integrar a experiência inteira. Recuperar a presença no corpo, reconhecer as sensações ligadas à memória traumática, e criar um espaço interno seguro para que as respostas automáticas não dominem mais a vida da pessoa — isso faz parte de um processo consciente e amoroso de reintegração.

E assim nos aproximamos de algo fundamental:
o sofrimento inscrito no corpo não é um obstáculo ao sentido — ele pode ser um ponto de partida para a consciência.

Se este texto ressoa com você, talvez esteja no momento de olhar para as suas respostas automáticas não como algo estranho ou errado, mas como partes que pedem atenção e regulação — e não precisam ser atravessadas sozinhas.


Cida Medeiros


Quando a excelência revela o que o ambiente não quer ver




Quando a excelência revela o que o ambiente não quer ver

A mediocridade não suporta a excelência, porque a excelência, por sua própria natureza, revela o que a mediocridade tenta ocultar: o medo de crescer, o receio de ser visto em sua limitação, o desconforto diante do espelho da consciência.

Em muitos espaços — inclusive os acadêmicos — o que se apresenta como coletividade às vezes é apenas uma forma sutil de nivelar por baixo. A inquietação é mal interpretada, o pensamento crítico é confundido com afronta, e o desejo de diálogo é visto como desvio da norma.

Mas há algo profundamente humano na busca por compreender mais, em provocar pela maiêutica, em desejar integrar saberes que foram separados artificialmente.
Essa busca é movimento de alma — é a própria natureza da consciência em expansão.

E quando o ambiente não acolhe esse movimento, nasce o exílio interno: aquele silêncio denso em que o ser sente que não pertence, não porque é “demais”, mas porque não aceita ser de menos.

Ainda assim, a excelência — entendida aqui não como superioridade, mas como fidelidade ao que se é — continua a pulsar. Ela não precisa de aplauso, precisa apenas de coerência.
E quando há coerência, há caminho.

Aos que já se sentiram deslocados por pensar diferente, por buscar mais sentido, por unir o que foi separado: saibam que esse desconforto não é fracasso, é sinal de evolução.
Talvez o ambiente ainda não esteja pronto para o seu brilho, mas o mundo precisa justamente dessa luz que incomoda — porque é ela que transforma. 


Convite à reflexão e ao cuidado

Se essa vivência deixou marcas — se há feridas invisíveis, traumas, confusão, ou a sensação de ter perdido a própria voz — saiba que existe um caminho de volta para si.
Como psicoterapeuta integrativa, unindo a Psicologia, as abordagens sistêmicas e as práticas de cuidado emocional, ofereço uma escuta que acolhe sua história e ajuda você a sair do fundo do poço — não para voltar ao mesmo lugar, mas para subir a montanha em direção à realização dos seus desejos mais profundos.

Porque há dentro de você algo que nunca deixou de buscar sentido. 


Por Cida Medeiros


Individuação: O Sagrado Direito de Ser Você





Individuação: O Sagrado Direito de Ser Você

Saberes ancestrais e a aceitação radical.

Na travessia entre o conhecimento acadêmico e as medicinas da alma, encontramos um ponto comum: a necessidade de libertar o Ser. Na Psicologia Analítica, Jung nos fala do processo de individuação — a coragem de tornar-se quem você é, mesmo que isso signifique romper com os códigos de sofrimento da sua linhagem.

Muitas vezes, a lealdade familiar nos mantém presos a padrões que adoecem. É aqui que a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) oferece uma ponte prática: a Aceitação Radical. Aceitar não é concordar com o passado doloroso, mas sim reconhecer a realidade como ela é, sem as defesas que hoje limitam sua vitalidade.

Os saberes ancestrais nos ensinam que somos o desague de um rio geracional. Se as águas que vieram antes estão turvas pelo trauma, cabe a nós o "crime necessário" de filtrar essa herança. Ao praticar a desfusão dos rótulos que nos deram, deixamos de ser "o filho do abuso" para sermos o contexto onde a vida acontece com liberdade e propósito.

Se você sente que o peso do passado ainda dita seus passos, talvez seja o momento de olhar para dentro com uma nova lente. O saber que liberta é aquele que integra sua dor e a transforma em sabedoria.


Cida Medeiros

As Cinco Fases do Luto segundo Elisabeth Kübler-Ross: Como acolher e transformar a dor da perda

Compreender o Luto: As Cinco Fases de Elisabeth Kübler-Ross e o Caminho para a Aceitação

O luto é parte natural da existência humana. Conheça as cinco fases descritas por Elisabeth Kübler-Ross e descubra caminhos de compreensão, amor e aceitação diante das perdas.




O luto é uma experiência universal. A psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, em sua obra “Sobre a Morte e o Morrer”, descreveu as cinco fases do luto como um caminho de compreensão e transformação emocional.


As Cinco Fases do Luto: Um Caminho de Humanidade e Transformação

O luto é uma experiência universal. Todos, em algum momento, nos deparamos com o desafio de perder algo ou alguém que amamos — uma pessoa, um vínculo, uma fase da vida. Embora a dor da perda pareça única para cada um de nós, ela segue certos movimentos internos que nos ajudam a elaborar, compreender e, aos poucos, transformar o sofrimento em sabedoria.

A psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross (1926–2004) foi pioneira nos estudos sobre a morte e o processo do morrer. Em seu livro clássico “Sobre a Morte e o Morrer”, ela descreveu cinco fases do luto, que ainda hoje inspiram profissionais da saúde, terapeutas e pessoas em busca de autoconhecimento.


1. Negação e Isolamento: o instinto de proteção da alma

A primeira reação diante da perda costuma ser a negação. É o momento em que o coração se recusa a acreditar no que aconteceu. Essa fase atua como um escudo psíquico, um recurso de autoproteção que nos dá tempo para nos ajustarmos à realidade.
O isolamento, por sua vez, é uma tentativa de silenciar o mundo externo para escutar o que se passa dentro de nós. Não é fuga — é uma pausa necessária para que o choque inicial possa se transformar em compreensão.


2. Raiva: o grito da dor que busca sentido

Quando a negação já não sustenta a realidade, surge a raiva. A mente e o corpo buscam um culpado: o destino, a vida, os outros ou até nós mesmos. Essa emoção, embora intensa, é parte do processo de cura.
Permitir-se sentir raiva é permitir-se ser humano. O importante é não permanecer preso a ela, mas reconhecê-la como expressão do amor ferido — o amor que ainda busca entender o que perdeu.


3. Barganha: o desejo de reverter o inevitável

A barganha é o momento em que tentamos negociar com a vida. Promessas, pactos e pensamentos do tipo “se eu tivesse feito diferente” são tentativas de recuperar o controle diante do incontrolável.
Essa fase nos ensina sobre a humildade de aceitar que há forças maiores que nossa vontade, e que a verdadeira transformação não está em mudar o passado, mas em reconciliar-se com ele.


4. Depressão: o mergulho silencioso na verdade da perda

Depois da luta e da negociação, vem o silêncio. A tristeza profunda, a sensação de vazio e a falta de sentido tomam espaço. É nesse momento que a realidade se mostra em toda sua densidade.
Embora dolorosa, essa fase é fértil: ela nos convida à introspecção, à escuta do que realmente importa. É no silêncio da dor que germinam novas compreensões sobre a vida e sobre nós mesmos.


5. Aceitação: o encontro com a serenidade possível

A aceitação não é esquecimento, tampouco felicidade imediata. É um estado de serenidade que surge quando deixamos de lutar contra o que é. Aceitar é compreender que o amor não se perde — ele apenas muda de forma.
Nesse estágio, abrimos espaço para que a memória se torne presença amorosa e não ferida aberta. Aprendemos a seguir adiante, levando conosco o que foi essencial.


O luto como movimento de vida

Elisabeth Kübler-Ross nos ensinou que o luto não é um fim, mas um processo de transformação. Ele nos aproxima da nossa própria humanidade, ensina sobre impermanência e desperta uma nova consciência sobre o valor do tempo e das relações.
Falar sobre o luto é também falar sobre a vida — sobre a capacidade que temos de nos reconstruir, de reencontrar sentido e de continuar amando, mesmo após a ausência.

Que cada perda possa se tornar, com o tempo, um convite à presença, à empatia e à celebração da existência em todas as suas formas.


Caleidoscópio do Saber com Cida Medeiros
Um espaço para refletir, sentir e transformar conhecimento em consciência.


Caleidoscópio das Relações: O Perigo de Sair do Próprio Lugar




Caleidoscópio das Relações: O Perigo de Sair do Próprio Lugar

No emaranhado das relações humanas, existe uma linha invisível que separa a conexão saudável da exposição vulnerável: a fronteira do lugar. Frequentemente, na busca por aceitação ou por uma clareza que nos falta, cometemos o erro de confundir colegas, superiores ou subordinados com confidentes.

A Hierarquia e o Silêncio Necessário

A Terapia Sistêmica Familiar nos ensina que todo sistema (seja ele familiar ou profissional) possui uma hierarquia e uma ordem. Quando compartilhamos questões profundamente pessoais com pessoas que ocupam lugares diferentes do nosso na hierarquia — especialmente no ambiente de trabalho ou acadêmico — quebramos uma lei fundamental de proteção.

O excesso de informação pessoal nas mãos de quem não tem o papel de cuidar de nós (como um terapeuta ou um amigo íntimo de longa data) cria um desequilíbrio. O que começa como uma conversa "aberta" pode, rapidamente, transformar-se em uma armadilha de julgamentos e situações delicadas que afetam sua imagem e sua paz.

O "Colega Terapeuta": Uma Ilusão de Intimidade

É comum vermos pessoas tratando o ambiente de trabalho como um divã. No entanto, quanto mais os outros sabem sobre as suas vulnerabilidades privadas, mais exposto você está a projeções alheias.

Ter a clareza de que todos pertencem ao sistema sem discriminação não significa que todos devem saber tudo sobre você. O pertencimento é um direito sistêmico; a intimidade é uma escolha estratégica. Manter-se no seu lugar — como profissional, como estudante ou como par — é uma forma de autorrespeito.

A Importância de Ficar no Seu Lugar

Ficar no próprio lugar significa entender que:

  1. Fronteiras são saudáveis: Elas protegem a sua essência.

  2. A curiosidade do outro nem sempre é acolhimento: Às vezes, as pessoas abrem-se para que você se abra, criando uma falsa sensação de segurança.

  3. Preservação é poder: Guardar sua vida pessoal para os círculos de confiança (sua base segura) evita que sua história seja mal interpretada por quem olha através da lente da hierarquia.

A verdadeira maturidade sistêmica é saber sorrir para todos, dar a todos o direito de pertencer, mas caminhar apenas com quem está no mesmo nível de troca e cuidado que você.


Cida Medeiros

No blog Caleidoscópio do Saber, exploramos as diversas faces do comportamento humano. Através da terapia integrativa, ajudo você a reestabelecer suas fronteiras e a encontrar o seu lugar de força nos seus sistemas.

[Sentindo-se exposto ou fora de lugar? Vamos conversar e organizar esses limites.]