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A Beleza do Pouso: Quando a Pausa é o Caminho



A Beleza do Pouso: Quando a Pausa é o Caminho

Honrando o fim de ciclos e o silêncio necessário

Sabe aqueles momentos em que a vida parece perder o brilho e o silêncio se torna a companhia mais presente? 1

Muitas vezes, a nossa cultura nos empurra para "superar rápido" ou "pensar positivo", mas a verdade é que o trauma de um término ou a incerteza de uma mudança exigem respeito. Existe uma sabedoria profunda na introspecção. É como se estivéssemos em um "inverno interno": nada parece crescer na superfície, mas as raízes estão se fortalecendo no escuro.

A neurociência e a flexibilidade psicológica nos ensinam que não precisamos lutar contra a tristeza ou a falta de inspiração. Tentar expulsar esses sentimentos é como tentar afundar uma bola em uma piscina: quanto mais força você faz para escondê-la, mais forte ela volta à superfície.

Permita-se estar onde você está.

Se o seu momento é de fechar capítulos e olhar para dentro, saiba que essa pausa não é estagnação. É o solo se preparando para o que virá. Às vezes, o maior ato de coragem é simplesmente "soltar a corda" e parar de lutar contra o que sentimos.

Se você sente que o fardo está pesado demais para carregar sozinho ou quer entender como esses fios da sua história se entrelaçam, saiba que existe um lugar seguro para essa conversa. O autoconhecimento é o mapa que nos guia para fora da neblina.

Vamos honrar esse ciclo juntos?

Se fez sentido para você, siga o blog para mais reflexões e, se sentir que é o momento de aprofundar, minha agenda de consultas para depois do dia 12 de janeiro de 2026, está aberta para te acompanhar nessa travessia.

Cida Medeiros

Psicoterapeuta Integrativa e Sistêmica

Profissional independente, com formação em Psicologia, que atua na interface entre cuidado emocional, consciência, espiritualidade e relações humanas.

Natal: o Nascimento do Amor em Nós




Natal: o Nascimento do Amor em Nós

Neste Natal, conceda-se o presente do auto perdão — acolher-se é um gesto de amor profundo.
Perdoar os próprios erros é abrir espaço para o crescimento e reconhecer que somos todos aprendizes da vida.

Permita-se sentir, abraçar, estar presente.
Valorize o toque, o olhar, a conversa sincera com quem faz parte da sua jornada.
Celebre a vida, as conexões e o milagre de simplesmente ser.

Que o espírito natalino desperte em cada um o desejo de renascer em amor, empatia e compaixão — por si e pelos outros. 💫

Feliz Natal! Que a luz do amor ilumine seu caminho.

Cida Medeiros



O Peso de Cuidar: Quando Quem Acompanha o Outro Esquece de Ser Humana

 


“Muitas vezes me perguntam sobre a beleza de acompanhar processos humanos profundos.
E eu respondo: é sagrado.

Ao longo da minha vida, atuei como terapeuta holística, sustentando espaços de escuta, cuidado e presença.
Recentemente, concluí minha formação acadêmica em Psicologia — e sigo atravessando o delicado rito de passagem entre saberes.

Cuidar do outro exige sensibilidade.
Exige corpo, alma e disponibilidade.

Mas hoje, quero falar da sombra dessa luz.

Existe um arquétipo que atravessa com força quem escolhe cuidar: o da Grande Mãe.
Aquela que acolhe, nutre, compreende, perdoa… e suporta.

Nos espaços terapêuticos, esse lugar pode ser profundamente reparador.
É o campo seguro onde algo se reorganiza e pode renascer.

Mas e quando esse papel escorre para todos os vínculos da vida?

Na minha própria jornada de consciência, percebi o risco silencioso:
levar a ‘Mãe’ para a vida pessoal cria relações desiguais.

Quando eu era sempre a que entende, a que sustenta, a que cuida de tudo,
eu deixava de ser mulher para virar função.

Porque quem busca uma mãe, não busca encontro.
E quem vive só no colo, raramente oferece presença.

O resultado é um vazio paradoxal:
rodeada de demandas — distante de mim.

O desafio de quem cuida (especialmente mulheres) não é amar menos.
É aprender a separar papéis.
Separar o cuidar do se relacionar.

Na vida pessoal, eu não quero ser necessária.
Eu quero ser vista.
Escolhida.
Encontrada em igualdade.

Hoje, faço um compromisso público comigo mesma:
retirar os papéis que não me cabem para habitar minha própria humanidade.

Porque só quem reconhece limites e vulnerabilidades
pode sustentar encontros reais.

E você?
Também sente que cuida de todo mundo e se esquece de si?

Vamos conversar.”


Terapeuta Holística, Integrativa e Sistêmica

Profissional independente, com formação em Psicologia*, (em fase que atua na interface entre cuidado emocional, consciência, espiritualidade e relações humanas.)

*(em processo de conclusão / aguardando colação de grau)


Confia no teu inconsciente

 


Confia no teu inconsciente

Talvez você tenha aprendido que precisa controlar tudo:
pensamentos, emoções, escolhas, caminhos.
Talvez tenha acreditado que sentir demais é perigoso,
que errar é falhar,
que não saber é fraqueza.

Mas existe em você um lugar mais antigo do que o medo.
Um lugar que sabe, mesmo quando a mente se confunde.

Esse lugar é o teu inconsciente.

Ele fala baixo.
Não grita ordens, não impõe respostas prontas.
Ele se expressa em imagens, sonhos, sensações no corpo,
em repetições que pedem atenção,
em incômodos que não querem ser eliminados,
mas escutados.

Confiar no inconsciente não significa obedecer a todo impulso.
Significa parar de lutar contra si.
Significa admitir que nem tudo precisa ser resolvido agora,
nem tudo precisa ser compreendido antes de ser vivido.

Às vezes, quando algo em você se desorganiza,
não é sinal de fracasso —
é sinal de que uma forma antiga já não serve mais.

O inconsciente não quer te destruir.
Ele quer te reorganizar por dentro.

Quando você ignora esse chamado,
ele retorna como ansiedade, cansaço, repetição, vazio.
Quando você escuta, mesmo com medo,
ele se transforma em direção.

Talvez o que você chama de confusão
seja apenas a alma pedindo espaço.
Talvez o sintoma seja uma linguagem.
Talvez a pausa seja necessária.

Confiar no inconsciente é permitir-se não saber por um tempo,
sem se abandonar.
É sustentar a pergunta sem exigir a resposta imediata.
É caminhar com o ego ao lado — não no comando absoluto,
nem ausente.

Você não precisa forçar clareza.
Ela emerge quando há escuta.

Respire.
Observe.
Anote seus sonhos.
Perceba o corpo.
Nomeie os afetos sem julgá-los.

Existe em você uma inteligência mais profunda
do que qualquer tentativa de controle.

E, aos poucos, quando você confia,
algo se alinha.
Não porque tudo ficou fácil,
mas porque passou a fazer sentido.


Cida Medeiros

O Limite do Ser: Liberte-se das Lealdades Invisíveis


O Limite do Ser: Liberte-se das Lealdades Invisíveis

A Frase Que Desperta e a Raiz do Conceito Familiar

Estava organizando meus papéis antigos e encontrei uma anotação de um curso, um pensamento que me paralisou: “Toda a lealdade diminui o ser que você é e limita a que você pode.”

Pode parecer radical, mas essa frase nos convida a olhar para algo muito mais profundo: o compromisso silencioso que mantemos com a nossa história. O conceito que dá nome a essa dinâmica profunda são as Lealdades Invisíveis, e ele tem uma origem sólida e respeitada na Terapia Familiar Sistêmica.

O psiquiatra húngaro-americano Ivan Boszormenyi-Nagy (1920-2007) foi quem primeiro sistematizou essa ideia. Sua abordagem, a Terapia Familiar Contextual, enfatiza a ética relacional e a “contabilidade” inconsciente que mantemos dentro das famílias. Para Nagy, as lealdades são vínculos poderosos que, quando disfuncionais, nos prendem a um ciclo de repetição, limitando nosso potencial por um senso de débito ou de fidelidade interna.

Mais tarde, Bert Hellinger, criador da Constelação Familiar, bebeu dessa fonte para desenvolver a compreensão dos "emaranhamentos" e do "Amor Cego".

O Preço Oculto: Lealdade ao Ancestral Excluído

Compreender essa conexão é o primeiro passo para a liberdade. Na prática sistêmica, percebemos que muitos dos nossos padrões familiares de sofrimento, luta ou escassez não são escolhas conscientes. Eles são, muitas vezes, repetições de destino assumidas por amor.

Imagine um sistema familiar onde um ancestral excluído (alguém que foi julgado, esquecido ou teve um destino difícil) deixou um "débito ético". O sistema, na sua busca por totalidade, move um descendente (você) a, inconscientemente, repetir o sofrimento ou os sintomas daquele que foi banido. Isso é a lealdade invisível em ação.

Você pode estar sentindo culpa ao prosperar, sabotando seus relacionamentos, ou vivendo uma tristeza inexplicável. Seu comportamento pode estar sendo ditado por um juramento de alma: "Eu sigo você no seu sofrimento para que você não fique sozinho." O resultado? Sua energia vital, que deveria estar focada em quem você é e no que você pode, está presa a um peso que não lhe pertence.

Trauma, Neurociência e o Caminho da Autonomia

Reconhecer essa lealdade é o ato de amor mais radical que você pode fazer por si e por sua família. Não se trata de desonrar quem veio antes, mas de honrar o seu próprio destino.

A neurociência moderna reforça essa jornada de cura. Sabemos, graças aos estudos sobre trauma e neuroplasticidade (como os de Bessel van der Kolk ou Norman Doidge), que as experiências passadas moldam nosso cérebro e corpo, e que a libertação não é apenas mental, mas física e emocional. A Teoria Polivagal, por exemplo, nos mostra como o corpo reage e se defende, e como podemos regular o sistema nervoso para nos sentirmos seguros e presentes.

Ao olhar para a dor e dizer: "Eu vejo você, e deixo seu destino com você, e sigo com o meu", você desfaz o emaranhamento. Você transforma a lealdade cega em fidelidade à sua própria vida. É um movimento que não só te liberta do limite imposto pelo passado, mas devolve a força para as gerações futuras.

Você está pronta para quebrar esse ciclo, compreender a origem do seu comportamento e, finalmente, viver a plenitude do ser que você é? Essa transformação começa com o seu olhar. Que tal darmos esse primeiro passo juntas, iluminando os caminhos da sua história?

Cida Medeiros
Facilitadora Sistêmica e Terapeuta de Abordagem Integrativa

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