Bem Vindo ao Blog Cida Medeiros! Caleidoscópio do Saber com Cida Medeiros

A Porcelana do Rei

Achava-se, certa vez, Confúcio o grande filósofo, na sala do trono.

Em dado momento o Rei, afastando-se por alguns instantes dos ricos mandarins que o rodeavam, dirigiu-se ao sábio chinês e perguntou-lhe:

¾ Dizei-me, o honrado Confúcio: como deve agir um magistrado? Com extrema severidade a fim de corrigir e dominar os maus, ou com absoluta benevolência ¾ a fim de não sacrificar os bons?

Ao ouvir as palavras do soberano, o ilustre filósofo conservou-se em silêncio; passados alguns minutos de profunda reflexão, chamou um servo, que se achava perto, e pediu-lhe que trouxesse dois baldes ¾sendo um com água fervente e outro com água gelada.

Ora, havia na sala, adornando a escada que conduzia ao trono, dois lindos vasos dourados de porcelana. Eram peças preciosas, quase sagradas, que o Rei muito apreciava.

Preparava-se o servo obediente para despejar, como lhe fora ordenado, a água fervendo num dos vasos e a gelada no outro, quando o Rei, emergindo de sua estupefação, interveio no caso com incontida energia:

¾ Que loucura é essa ó venerável Confúcio! Queres destruir essas obras maravilhosas! A água fervente fará, certamente arrebentar o vaso em que for colocada; a água gelada fará partir-se o outro!

Confúcio tomou então de um dos baldes, misturou a água fervente com a água gelada e, com a mistura assim obtida, encheu os dois vasos sem perigo algum.

O poderoso monarca e os venerandos mandarins observaram atônitos a atitude singular do filósofo.

Este, porém, indiferente ao assombro que causava aproximou-se do soberano e assim falou:

¾ A alma do povo, ó Rei, é como um vaso de porcelana, e a justiça do Rei é como água. A água fervente da severidade ou a gelada da excessiva benevolência são igualmente desastrosas para a delicada porcelana; manda, pois, a Sabedoria e ensina a Prudência que haja um perfeito equilíbrio entre a severidade ¾ com que se pode castigar o mau, e a longanimidade com que se deve educar e corrigir o bom.

A Biologia do Silêncio: Onde o Mistério Encontra a Cura

Imagem atualizada em Jan 2026




A Biologia do Silêncio: Onde o Mistério Encontra a Cura

Julho de 2001

Os nossos sábios ancestrais nunca precisaram de eletroencefalogramas para entender o que hoje a neurociência começa a mapear: o silêncio é a linguagem da alma.

Muito antes da vida moderna acelerar nossos batimentos, já se sabia que o silêncio é a chave para acessar o éter universal. É nas pausas entre os pensamentos — naquele espaço sagrado onde a "mente macaco" finalmente descansa — que a Linguagem do Coração começa a falar.

Silenciar para Regular

Quando paramos a tagarelice mental e nos permitimos contemplar, estamos fazendo mais do que "meditar". Estamos sinalizando ao nosso sistema nervoso que o ambiente é seguro. No silêncio da noite ou no silêncio do dia, ativamos o nosso estado de engajamento social, permitindo que o corpo saia do modo de defesa e entre em ressonância com a Natureza.

Beber da Fonte: A Escuta que Indica o Caminho

Quando você se curva diante do Grande Mistério, você deixa de "tentar resolver" a vida apenas com o intelecto. Você passa a pulsar e reverberar na mesma frequência do Campo de Sabedoria. É nesse estado que a intuição floresce: você simplesmente sabe. É um saber que não vem dos livros, mas de beber diretamente da fonte.

A Sabedoria de Plantar e Confiar

A natureza não tem pressa, e ainda assim tudo se realiza. Se você plantou suas intenções e trabalhou suas questões, agora é o momento de permitir que o campo regue as novas sementes. O silêncio contém a força necessária para o brotar.

Confiar no tempo do campo é a maior prova de sabedoria. Deixe que a vida converse com você através dos sinais, dos perfumes e das pausas.

O caminho se revela para quem tem a coragem de silenciar.

Ahow!

Cida Medeiros




Passagem além da Índia


"Passagem além da Índia!


Ó, segredo da terra e do céu!


De vós, ó águas oceânicas! Ô regatos sinuosos!


De vós, ó florestas e campos!

De vós, possantes montanhas de minha terra!


De vós, ó planícies! De vós, rochas cinzentas!


Ó, manhãs rubras! Ó, nuvens! Ó, chuvas e neves!


Ó, dia e noite, passagem para vós!


Ó, sol e lua e para vós, estrelas! Sírius e Júpiter!


Passagem para vós!"

Walt Whitman

Do Cosmos ao DNA: O Reencontro com o Ser Multidimensional



Atualizado em 25/01/2026


Do Cosmos ao DNA: O Reencontro com o Ser Multidimensional

Maio de 2021

Existem momentos em nossa jornada em que o véu entre as dimensões se torna mais fino e somos inundados pela lembrança de nossa origem. Recentemente, me peguei refletindo sobre a nossa natureza como seres cósmicos e a eterna busca pela "outra metade".

A Ressonância da Mônada: O Que Está Fora Está Dentro

A lei de Hermes Trismegisto nunca foi tão atual. A neurociência hoje nos fala sobre a corregulação — a forma como nossos sistemas nervosos buscam sintonia uns com os outros. Mas, em um nível mais profundo, essa busca é o eco de nossa origem na Mônada Divina.

Nascemos da divisão de uma unidade e viajamos pelo cosmos colecionando experiências em inúmeras "moradas" estelares. O anseio pela "alma gêmea" que sentimos na Terra é, na verdade, a nostalgia biológica e espiritual dessa unidade perdida.

Relacionamentos Maduros e Maestria Interior

Viver um amor verdadeiro nesta dimensão humana exige mais do que química; exige autoconsciência. No campo das Constelações e da Escuta do Ser, percebemos que muitos sofrem não pela ausência do outro, mas pela desconexão de si mesmos.

Relacionamentos maduros são para seres que trilham o caminho da Maestria Interior. Quando não encontramos parceiros que ressoem nessa frequência, o "estar bem consigo mesmo" não é solidão, é plenitude. O sofrimento só surge quando baixamos nossa sintonia apenas para a carência humana.

A Multidimensionalidade como Caminho de Cura

Em minhas meditações ao longo de anos, tive o privilégio de contatar realidades que fogem ao entendimento comum. Nossa Multidimensionalidade Humana nos permite acessar campos de informação onde residem todas as memórias da criação.

Quando limpamos o caminho para o nosso Ser, a conexão com a Mônada se refaz. Nesse estado de presença, sentimos algo tão único que o sofrimento simplesmente não encontra espaço para existir. Despertar para o nosso Ser Cósmico é a maior graça que o Amor Divino pode nos conceder.

Somos viajantes em uma experiência transitória, mas com raízes fincadas na eternidade.

Se você sente esse chamado para reconectar-se com sua origem e limpar os bloqueios que impedem sua visão multidimensional, saiba que o universo está em constante expansão — e sua consciência também pode estar.

Assim falei,

Cida Medeiros




O Poder dos Resultados: Abraçando a Jornada e Sua Intuição


O Poder dos Resultados: Abraçando a Jornada e Sua Intuição

Quantas vezes nos pegamos presos à ideia de "fracasso"? Aquela sensação de que algo deu errado, que não alcançamos o esperado, e então a frustração se instala. Mas e se eu te dissesse que, na verdade, não existe essa coisa chamada fracasso? Existe apenas resultados. Sim, tudo o que acontece em nossa vida, cada experiência, cada desfecho, é um resultado que nos serve de alguma forma, mesmo que não consigamos ver a razão no momento.

Assumir Responsabilidade: O Primeiro Passo para o Crescimento

Essa perspectiva nos convida a um movimento poderoso: assumir responsabilidade. Não no sentido de culpa, mas de reconhecer nosso papel nos desdobramentos da vida. Quando compreendemos que os resultados são frutos de nossas escolhas e ações (ou da falta delas), ganhamos o poder de transformar. É um pilar da psicologia positiva, que nos convida a focar no que podemos controlar e influenciar, cultivando uma mentalidade de crescimento e resiliência.

Sabedoria Além do Entendimento: O Tesouro que Carregamos

E aqui reside uma grande verdade que muitas vezes ignoramos: é desnecessário entender tudo para ser capaz de usar tudo que se sabe. Pense nisso! Quantas vezes nos paralisamos por querer compreender cada detalhe, cada causa e efeito? A vida é um rio que flui, e nem sempre precisamos saber a nascente de cada correnteza para navegar por ela. A sabedoria está em confiar na sua bagagem interna, nos seus aprendizados, mesmo aqueles que residem no campo do inconsciente ou da pura intuição.

Pessoas e Propósito: A Força do Serviço e da Conexão

E no centro de tudo isso, está a interconexão. As pessoas são seus maiores recursos. Nossas relações, os encontros, as trocas, são fontes inesgotáveis de aprendizado, apoio e inspiração. E quando nos colocamos em um estado de serviço, quando nosso trabalho e nossas ações visam contribuir com algo maior, a mágica acontece. É como se o universo conspirasse a nosso favor: quando você está a serviço, tudo move-se ao seu encontro. Há uma energia que se alinha, uma sincronicidade que se manifesta, porque você está vibrando em um propósito maior.

A Voz Silenciosa da Alma: Confie, Acredite, Entregue-se

Nesse caminho de descobertas e entregas, há uma voz que sussurra as respostas mais profundas: sua intuição. Ela é o seu guia mais fiel, um GPS interno que capta nuances que a lógica muitas vezes ignora.

Por isso, o convite final é um mergulho na essência da sua existência:

Ouça sua intuição. Acredite. Confie. E Entregue-se.

Entregar-se não é desistir, mas sim confiar no fluxo da vida, na sua capacidade de lidar com os resultados, sejam eles quais forem. É um ato de coragem e fé no seu próprio processo. Permita-se ser guiado por essa sabedoria interior. Se você sente que essa conexão com sua intuição precisa ser mais forte, ou que a responsabilidade sobre seus resultados ainda é um peso, saiba que estou aqui para te acompanhar nessa jornada de autodescoberta. Acredite no poder que reside em você.


Cida Medeiros


A dor do não vivido.


(Carlos Drummond de Andrade)

 Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas,
Mas das coisas que foram sonhadas
E não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
Apenas agradecer por termos conhecido
Uma pessoa tão bacana,
Que gerou em nós um sentimento intenso
E que nos fez companhia por um tempo razoável,
Um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
O que foi desfrutado e passamos a sofrer
Pelas nossas projeções irrealizadas,
Por todas as cidades que gostaríamos
De ter conhecido ao lado do nosso amor
E não conhecemos,
Por todos os filhos que
Gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
Por todos os shows e livros e silêncios
Que gostaríamos de ter compartilhado,
E não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
Pela eternidade.

Sofremos não por que
Nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
Mas por todas as horas livres
Que deixamos de ter para ir ao cinema,
Para conversar com um amigo,
Para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
É impaciente conosco,
Mas por todos os momentos em que
Poderíamos estar confidenciando a ela
Nossas mais profundas angústias
Se ela estivesse interessada
Em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
Mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
Mas porque o futuro está sendo
Confiscado de nós,
Impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
Todas aquelas com as quais sonhamos e
Nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
Mais me convenço de que o
Desperdício da vida
Está no amor que não damos,
Nas forças que não usamos,
Na prudência egoísta que nada arrisca,
E que, esquivando-se do sofrimento,
Perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade

A Espiral da Cura: O que aprendemos com a História?




A Espiral da Cura: O que aprendemos com a História?

Fevereiro de 2001

Às vezes, olhar para trás é a única maneira de entender para onde estamos correndo. Existe uma ironia fina na evolução do cuidado com a saúde que nos faz refletir: estamos avançando ou apenas andando em círculos?

A Breve História da Medicina:

  • 500 d.C. – "Coma esta raiz e você ficará são.

  • 1000 d.C. – "Raiz é coisa de pagão. Faça uma oração a Deus que está no céu.

  • 1792 d.C. – "Quem reina é a razão. Tome, pois, esta poção."

  • 1917 d.C. – "Poção não resolve. Tome este comprimido."

  • 1950 d.C. – "Comprimido não cura. Tome antibiótico."

  • 2002 d.C. – "Antibiótico em excesso não é recomendável. Use esta raiz."

Crivo Analítico: Onde estamos hoje?

Minha crítica aqui não é à ciência — que salvou milhões de vidas com antibióticos e tecnologia — mas à medicalização sistemática. Fomos ensinados a entregar a responsabilidade da nossa saúde a uma pílula, ignorando que o corpo é um ecossistema complexo que responde ao ambiente, aos traumas e às nossas emoções.

Sabemos que a vida moderna nos privou das condições ideais. Nem todos temos hortas ou o tempo necessário para o cultivo do bem-estar pleno. É aqui que entra a importância do equilíbrio e da consciência.

Do Comprimido à Escuta do Ser

Se em 2001 voltamos a recomendar a "raiz", é porque percebemos que a cura real exige uma conexão com a nossa biologia original. Mas não basta trocar o comprimido pelo chá se não mudarmos a frequência interna.

A verdadeira "raiz" da nossa saúde reside na regulação do nosso sistema nervoso. Quando estamos em paz e conectados com nossa essência, nosso sistema imunológico — aquele que o Dr. Sabbatini descreveu como sendo modulado pela mente — trabalha ao nosso favor.

A medicação tem seu lugar de honra na urgência, mas a saúde sustentável nasce na Escuta do Ser. É preciso discernimento para saber quando o corpo precisa de um suporte químico e quando a alma pede uma constelação, um silêncio ou um retorno ao natural.

Que possamos usar a razão sem perder a conexão com o sagrado da natureza.

Cida Medeiros

Terapeuta a Escuta do Ser