Bem Vindo ao Blog Cida Medeiros! Caleidoscópio do Saber com Cida Medeiros

Cura Consciente: Tornar-se Canal em Todos os Campos



Cura Consciente: Tornar-se Canal em Todos os Campos

Em uma aula com minha professora Aidda, no Campo DEP, algo ficou muito claro:

A cura é amplamente trabalhada dentro das religiões.
Mas o nosso trabalho é desenvolver a cura de forma consciente.

Essa diferença muda tudo.

Não se trata apenas de pedir cura.
Trata-se de tornar-se canal de cura.

E isso começa com uma pergunta simples — e desconfortável:

Como está o meu canal de cura?


Cura Não é Apenas Intenção — É Frequência

Se compreendermos o ser humano como um sistema de múltiplos campos — físico, emocional, mental e espiritual — então a cura não acontece apenas no nível do pensamento.

Ela acontece por sintonia.

Para sintonizar uma frequência de cura, é necessário reorganizar o ego.

Na psicologia analítica, Carl Gustav Jung descreve o ego como o centro da consciência. Ele é responsável por organizar nossa identidade e percepção da realidade.

Se o ego está rígido, defensivo ou inflado, ele bloqueia fluxo.

Se está alinhado ao Self, ele se torna canal.

Portanto, desenvolver a cura consciente exige um ego forte — mas não dominante.


Responsabilidade Vibratória

Se escolhemos trabalhar como canal de cura, assumimos responsabilidade vibratória.

Isso significa:

  • Ser purificador.

  • Limpar os próprios campos emocionais.

  • Revisar crenças.

  • Cuidar do corpo físico.

  • Assumir o compromisso daquilo que se torna consciente.

Não podemos curar no outro aquilo que não estamos dispostos a olhar em nós.

Essa visão dialoga com tradições herméticas que afirmam que transformação interna precede transformação externa. No O Caibalion, encontramos o princípio da vibração: tudo está em movimento, tudo vibra.

Se tudo vibra, curar é ajustar frequência.


Corpo, Energia e Postura: Há Fundamento?

Na aula, também foram orientadas práticas específicas:

  • Dormir com as mãos preferencialmente sobre os joelhos para evitar dispersão energética.

  • Observar o relaxamento do queixo, pois a intelectualização excessiva tende a tensioná-lo.

  • A ideia de que o chakra coronário, associado ao topo da cabeça, pode criar tendência de elevação da cabeça quando há sobrecarga mental.

Vamos compreender isso com responsabilidade.

O sistema de chakras tem origem nas tradições do yoga tântrico, descritas em textos como o Sat-Cakra-Nirupana (século XVI). O chakra coronário (Sahasrara) simboliza conexão com consciência superior.

Já a relação entre tensão mandibular e atividade mental excessiva possui respaldo na psicossomática. Tensões crônicas na mandíbula estão associadas a estresse e hiperatividade cognitiva, segundo abordagens corpo-mente contemporâneas.

O psiquiatra Bessel van der Kolk afirma em O Corpo Guarda as Marcas:

“O corpo mantém a pontuação da experiência.”

Ou seja, estados mentais e emocionais se expressam corporalmente.

Mesmo que a explicação energética não seja cientificamente mensurável, a relação entre postura, tensão muscular e estado psíquico é amplamente reconhecida.


O Compromisso com Aquilo que se Torna Consciente

Há uma frase poderosa nessa aula:

Assuma o compromisso do que se dá conta.

Consciência gera responsabilidade.

Quando percebemos um padrão, uma tensão, uma crença limitante — já não podemos fingir ignorância.

Ken Wilber fala da evolução da consciência como um processo de inclusão e transcendência. Não negamos estágios anteriores — integramos.

Cura consciente não é mística ingênua.

É integração progressiva.


Como Isso se Aplica ao Leitor Leigo?

Talvez você não trabalhe como terapeuta.
Talvez não fale em chakras.
Talvez não use a palavra “campo vibratório”.

Mas você pode se perguntar:

  • Como está minha energia ao entrar em um ambiente?

  • Eu chego levando tensão ou levando calma?

  • Meu corpo vive contraído?

  • Minha mente descansa?

  • Eu assumo responsabilidade pelo que percebo?

Ser canal de cura, no cotidiano, pode significar:

  • Regular a própria respiração antes de reagir.

  • Relaxar a mandíbula quando perceber excesso de controle.

  • Cuidar do sono.

  • Observar onde sua energia se dispersa.

  • Assumir compromisso com seu próprio processo.

Não é necessário aderir a uma tradição específica para compreender isso.

Cura consciente é coerência entre pensamento, emoção e ação.


Mudar o Ego Para Mudar a Frequência

Se o ego é rígido, competitivo, defensivo, ele bloqueia.

Se aprende a servir, ele canaliza.

A única transformação necessária talvez seja esta:

Colocar o ego a serviço do alinhamento.

E isso não é religioso.
É existencial.


Tornar-se Canal

Trabalhar como canal de cura não é uma função exclusiva de terapeutas ou líderes espirituais.

É uma postura.

É decidir que sua presença no mundo não aumentará o ruído — mas contribuirá com clareza.

Talvez a pergunta final não seja:

“Eu tenho poder de cura?”

Mas:

“Eu estou disponível para ser canal?”

Cida Medeiros


Referências

JUNG, Carl Gustav. O Eu e o Inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2011.

VAN DER KOLK, Bessel. O Corpo Guarda as Marcas. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.

TRÊS INICIADOS. O Caibalion. São Paulo: Editora Pensamento, 2007.

WILBER, Ken. Uma Teoria de Tudo. São Paulo: Cultrix, 2000.

WOODROFFE, John (Arthur Avalon). The Serpent Power. Madras: Ganesh & Co., 1919. (referência clássica sobre sistema de chakras)



A Única Tarefa do Ego: Escolher

 


A Única Tarefa do Ego: Escolher

Existe um equívoco comum no caminho espiritual: acreditar que o ego deve ser eliminado.

Mas talvez sua única tarefa não seja morrer.

Seja escolher.

O ego é a estrutura organizadora da personalidade. Ele não é o inimigo — é o instrumento. Quando colocado a serviço do Self, torna-se um mediador entre o invisível e o mundo concreto.

A questão não é destruir o ego.
É colocá-lo no seu lugar.

Ego a Serviço do Self

Na psicologia analítica, Carl Gustav Jung compreende o ego como o centro da consciência, enquanto o Self representa a totalidade psíquica.

O ego é parte.
O Self é totalidade.

Quando o ego se identifica como totalidade, surge o conflito.
Quando reconhece que é parte, surge alinhamento.

A maturidade espiritual não exige um ego fraco. Pelo contrário.

Exige um ego forte o suficiente para suportar transformação.

Graça e Coragem na Transformação

No livro Graça e Coragem, Ken Wilber narra o processo de adoecimento e morte de sua esposa, Treya Killam Wilber. A obra é um testemunho profundo sobre como crescimento espiritual não elimina dor — mas transforma a maneira como a atravessamos.

Wilber demonstra que a verdadeira integração espiritual exige duas qualidades:

  • Graça para aceitar o que é

  • Coragem para atravessar o que precisa ser transformado

Transformação é possível em qualquer campo de manifestação — físico, emocional, mental ou espiritual. Mas ela exige estrutura interna.

Sem ego estruturado, não há sustentação para expansão de consciência.

Livre-Arbítrio e Apropriação das Crenças

O livre-arbítrio não é simplesmente “poder escolher”.

Ele acontece quando eu me aproprio das minhas crenças.

Enquanto ajo inconscientemente a partir de padrões herdados, não estou escolhendo — estou reagindo.

O livre-arbítrio emerge quando tomo consciência do que acredito e, a partir daí, decido.

Essa visão dialoga com a psicologia do desenvolvimento moral e espiritual descrita por Wilber, na qual níveis mais elevados de consciência ampliam a capacidade de escolha.

Escolher exige consciência.

E consciência exige responsabilidade.

O Canal do Consciente Emergente

Existe algo em nós que está sempre emergindo.

Uma inteligência mais ampla.
Um impulso evolutivo.

Wilber chama isso de impulso eros — a tendência do universo à complexidade e à integração.

Alinhar-se com o canal do consciente emergente é permitir que essa força atue.

Mas isso só acontece quando o ego consente.

Quando ele deixa de resistir.

Quando para de tentar controlar o fluxo.

Sensações Primárias e Memória Corporal

Muitas vezes, quando entramos em contato com determinadas sensações corporais, somos inundados por desconfortos intensos que parecem desproporcionais ao momento presente.

Isso pode ocorrer porque o corpo registra experiências precoces.

O psiquiatra Bessel van der Kolk, em O Corpo Guarda as Marcas, afirma:

“O corpo mantém a pontuação da experiência.”

Experiências precoces — especialmente aquelas vividas na infância — podem ser registradas como sensações primárias desagradáveis antes mesmo de haver linguagem para processá-las.

Entrar em contato com certas sensações pode ativar registros implícitos da criança interior.

Por isso o ego precisa ser forte.

Não para evitar sentir.
Mas para suportar sentir sem fragmentar-se.

Persona e Estrutura da Existência

Jung também descreve a persona como a máscara social necessária para navegar no mundo.

Ela pertence ao campo mental estruturado para esta existência.

Nosso corpo físico, etérico, emocional e mental formam o conjunto organizacional da encarnação.

O ego administra esse sistema.

E ele teme dissolução.

Transmutação e Evolução Coletiva

Na visão espiritual integrativa, não evoluímos isoladamente.

Há uma interdependência entre consciência individual e campo coletivo.

A ideia de que “não sairemos deste planeta enquanto todas as partículas não forem transmutadas” ecoa o princípio de interconexão presente tanto no hermetismo quanto nas tradições místicas orientais.

O princípio hermético da correspondência — descrito em O Caibalion — afirma:

“O que está em cima é como o que está embaixo.”

Se somos parte de uma totalidade vibracional, nossa evolução individual participa de um processo maior.

Não transcendemos sozinhos.

Transmutamos juntos.

A Escolha Certa

A única tarefa do ego é escolher a favor do alinhamento.

Escolher servir ao Self.

Escolher sustentar a transformação.

Escolher atravessar sensações antigas sem se identificar com elas.

Escolher crescer.

Quando o ego cumpre sua função, ele não desaparece.

Ele se torna ponte.

E talvez seja isso maturidade espiritual:

Um ego forte o suficiente para ajoelhar-se diante do Self.


Referências

JUNG, Carl Gustav. O Eu e o Inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2011.

VAN DER KOLK, Bessel. O Corpo Guarda as Marcas. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.

WILBER, Ken. Graça e Coragem. São Paulo: Cultrix, 1991.

WILBER, Ken. Uma Teoria de Tudo. São Paulo: Cultrix, 2000.

TRÊS INICIADOS. O Caibalion. São Paulo: Editora Pensamento, 2007.



Dentro de uma pedra tem um coração…




🪨 Dentro de uma pedra tem um coração…

Às vezes, a vida parece uma pedra.

Dura. Fria. Silenciosa.

Quantas vezes passamos por pessoas, situações ou até por nós mesmos com essa sensação? Como se o mundo estivesse encapsulado, blindado por uma camada de resistência. Como se não houvesse mais espaço para o sentir. Só dureza. Só defesa.

Mas então vem o ensinamento espiritual de uma amado Guia…

Dentro de uma pedra tem um coração. E dentro do coração está o amor da vó Mariana.

E algo se quebra.

Porque essa metáfora nos lembra que mesmo onde parece não haver vida, há pulsação.
Mesmo na rigidez do tempo, da dor ou da história, existe um coração vivo.
E mais ainda: dentro desse coração, repousa um amor antigo, terno, presente.

O amor da vó Mariana pode ser lido como esse amor que alimenta nossas raízes.
Aquele que nos embala em silêncio, mesmo quando esquecemos.
Um amor que não precisa gritar, porque já está impresso na memória do nosso corpo, na alma da nossa história.

Esse amor pode ser a avó real, uma ancestral, a mãe interna, ou até uma lembrança de acolhimento puro — que um dia nos ensinou o que é amar sem cobrança, sem pressa, sem condição.

💬 Talvez a pedra seja só a casca que o tempo criou.
Mas lá dentro... ainda pulsa a vida.
Lá dentro... ainda mora o amor.


Convite à reflexão:

  • Qual é a “pedra” que você tem carregado?

  • O que existe dentro dela, se você ousar olhar mais fundo?

Com carinho,
Cida Medeiros
Instagram


📌 Créditos da metáfora:
Inspirado na frase “Dentro de uma pedra tem um coração, e dentro do coração está o amor da vó Mariana.” – Um guia espiritual de muita sabedoria, por quem tenho profunda gratidão.


O Início da Jornada: Consciência e Multidimensionalidade Humana


Campo DEP/SP



O Início da Jornada: Consciência e Multidimensionalidade Humana

Bem-vindos ao meu "campo" de descobertas. Embora este blog tenha ganhado vida oficialmente em julho de 2005, decidi abrir esta linha do tempo retroativa para 1998 por um motivo sagrado: honrar a raiz da minha jornada pessoal e profissional.

1998 não foi apenas um ano no calendário; foi o ano em que concluí o percurso de quatro anos na
DEP – Dinâmica Energética do Psiquismo
. Foi um marco divisor de águas, um portal que me permitiu mergulhar na integração entre o corpo físico e as dimensões mais sutis do nosso ser.

O Chamado para o Conhecimento e a Gratidão

Olhando para trás, sinto uma gratidão imensa a Theda Basso por ter me aberto as portas dessa formação numa época em que o acesso era raro e a espera por uma vaga durava anos. Na DEP, aprendi que o aprimoramento pessoal exige ética, estudo profundo e, acima de tudo, uma postura de escuta sensível perante o Campo de Sabedoria Universal.

Já naquela época, de forma precursora, mergulhávamos em temas que hoje a ciência moderna abraça: o papel do Nervo Vago, a Teoria Polivagal de Porges, a anatomia e a fisiologia humana vistas através da lente da multidimensionalidade.

Por que esta Linha do Tempo?

Decidi compartilhar esse percurso retroativo com você porque acredito que a consciência não nasce do nada — ela é construída. Este blog é um convite para dividirmos:

  • Ciência e espiritualidade integradas;

  • Novos paradoxos da Física Quântica e da abordagem Transpessoal;

  • As descobertas da Neurociência sobre o cérebro e o comportamento humano.

Este espaço é mais que um repositório de textos; é um campo aberto para que clientes e leitores encontrem reflexões que toquem a alma e tragam clareza para a própria jornada.

Se você sente que há algo além da superfície, que sua história e seu corpo guardam marcas de uma sabedoria que ainda precisa ser revelada, você está no lugar certo.

Convido você a me acompanhar nesta retrospectiva e nas novas descobertas que publicarei. Vamos juntos ampliar a nossa consciência e regulação emocional?

Com carinho e presença,

Cida Medeiros