Bem Vindo ao Blog Cida Medeiros! Caleidoscópio do Saber com Cida Medeiros: “Quando me amei de verdade”: a reflexão atribuída a Chaplin que ainda toca tantas almas

“Quando me amei de verdade”: a reflexão atribuída a Chaplin que ainda toca tantas almas

Uma mulher numa postura contemplativa no final de um dia. 

Quando comecei a me escutar de verdade

Houve um tempo em que eu acreditava que amadurecer significava suportar tudo.

Engolir o choro.
Silenciar desconfortos.
Continuar mesmo quando algo dentro de mim já estava cansado.

Eu confundia força com endurecimento.

E talvez muitas pessoas façam isso.

Vivemos em um mundo que aplaude quem aguenta:

aguenta relações vazias,
aguenta ambientes tóxicos,
aguenta sobrecarga,
aguenta abandono emocional,
aguenta viver distante de si mesmo.

Até que um dia… o corpo fala.

Às vezes como ansiedade.
Às vezes como tristeza profunda.
Às vezes como cansaço sem nome.
E às vezes como aquela estranha sensação de estar vivendo uma vida que já não combina mais com a alma.

Nem todo sofrimento é doença.

Alguns sofrimentos são chamados internos para retorno.

O problema é que fomos ensinados a ouvir o mundo antes de ouvir a nós mesmos.

Aprendemos cedo a corresponder expectativas.
A desempenhar papéis.
A ser “fortes”.
A agradar.
A manter vínculos mesmo quando eles nos diminuem.

Mas existe um momento da vida em que a consciência começa a bater na porta.

E ela raramente chega gritando.

Ela chega em forma de incômodo.

Uma relação que pesa.
Um trabalho que esgota.
Uma tristeza que não passa.
Uma sensação persistente de desencontro interno.

A alma primeiro sussurra.
Depois incomoda.
Depois paralisa.

Até que percebamos que sobreviver não é a mesma coisa que viver.

Foi então que compreendi algo difícil:

Muitas das minhas dores não surgiam porque eu era fraca.
Surgiam porque eu estava me abandonando aos poucos.

Existe um tipo de tristeza que nasce quando traímos nossa própria verdade.

Quando permanecemos pequenos para caber em lugares que já não comportam quem estamos nos tornando.

E talvez o amor-próprio não seja essa ideia superficial de “se colocar em primeiro lugar” o tempo todo.

Talvez amor-próprio seja presença.

Presença para perceber:
o que faz sentido,
o que deixou de fazer,
o que nutre,
o que adoece,
o que expande,
o que aprisiona.

Porque amadurecer espiritualmente não é virar alguém perfeito.

É tornar-se alguém mais consciente.

Mais inteiro.

Mais responsável pela própria energia emocional, pelos próprios vínculos e pelas escolhas que faz.

Com o tempo, comecei a perceber que nem todo afastamento é perda.
Nem todo fim é fracasso.
Nem toda solidão é abandono.

Às vezes, a vida remove excessos para revelar essência.

E isso dói.

Mas também liberta.

Hoje já não acredito naquela felicidade performática que precisa parecer iluminada o tempo inteiro.

Acredito em algo mais simples e mais profundo:
uma vida com verdade.

Uma vida onde mente, corpo e alma consigam caminhar na mesma direção.

Talvez seja isso que chamam de despertar.

Não escapar da vida.
Mas finalmente habitá-la.

Inteira.

— Cida Medeiros

@Cida2016medeiros
cidamedeiros.com.br

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