Quem pode habilitar profissionais para atuar com a NR-1?
Competência, ética e limites que precisam ser respeitados**
Com a ampliação do debate sobre saúde mental no trabalho e riscos psicossociais, muitas pessoas começaram a se perguntar:
Quem pode formar, capacitar ou “habilitar” profissionais para atuar com a NR-1?
A dúvida é legítima.
E a confusão também.
Por isso, este texto nasce como um gesto de clareza, não de disputa.
A NR-1 não é um território de poder — é um campo de responsabilidade.
A primeira verdade que precisa ser dita
A NR-1 não cria uma profissão.
Ela:
não institui o “especialista em NR-1”
não exige CRP
não cria licenças individuais
não concede autorização irrestrita para atuação
O que a NR-1 exige é algo mais profundo e, ao mesmo tempo, mais simples:
Competência técnica compatível com a atividade realizada.
🧭 O que significa “competência técnica” na NR-1?
Competência técnica não é um título isolado.
Ela nasce da combinação de três pilares.
1️⃣ Formação compatível com o que se ensina
Pode ser formação em:
Segurança do Trabalho
Psicologia
RH
Saúde coletiva
Gestão de pessoas
Consultoria organizacional
Terapias integrativas (no campo preventivo e educativo)
📌 O critério não é o nome do diploma, mas a coerência entre formação e conteúdo.
Quem ensina NR-1 precisa entender:
o que é GRO
o que é PGR
o que são riscos ocupacionais
o que são riscos psicossociais
onde termina a prevenção e começa a clínica
2️⃣ Conhecimento formal da NR-1
A pessoa que habilita outras precisa:
conhecer a NR-1 atualizada
compreender sua lógica preventiva
entender os limites legais da atuação
saber diferenciar cuidado institucional de prática clínica
Esse conhecimento pode vir de:
cursos específicos em NR-1
formações em SST
estudo técnico contínuo
experiência real com empresas
3️⃣ Experiência ou atuação prática coerente
Ensinar NR-1 sem nunca ter lidado com:
empresas
equipes
ambientes de trabalho
riscos reais
gera formações frágeis.
📌 Quem habilita outras pessoas precisa saber traduzir a norma para a vida real, não apenas repeti-la.
Um ponto crucial: o que ninguém pode prometer
Mesmo com formação e experiência, ninguém pode:
autorizar alguém a realizar psicoterapia psicológica ou atos privativos da Psicologia sem registro no CRP
formar “terapeutas para atuar clinicamente em empresas”
ensinar diagnóstico psicológico
prometer “certificação oficial” inexistente
dizer que um curso “habilita legalmente para tudo”
📌 Cursos de NR-1 são cursos livres.
Eles capacitam, não autorizam atos privativos de profissão regulamentada.
E os certificados, valem o quê?
Valem como:
comprovação de estudo
atualização profissional
formação complementar
Não valem como:
licença profissional
autorização irrestrita
substituição de conselho profissional
A ética está em não inflar o alcance do certificado.
Como formar profissionais em NR-1 de forma ética
Quem deseja habilitar outras pessoas para atuar com a NR-1 precisa:
deixar claro que se trata de curso livre
definir o escopo de atuação do aluno
ensinar limites legais e éticos
diferenciar prevenção de clínica
orientar sobre encaminhamentos
evitar linguagem psicológica privativa
💡 Formar com clareza é um ato de cuidado.
Um olhar sistêmico para fechar
Quando alguém forma profissionais sem respeitar limites:
o sistema se confunde
os profissionais se sentem inseguros
surgem conflitos, denúncias e medo
o cuidado perde força
Quando cada um ocupa seu lugar:
o sistema se organiza
o trabalho flui
a NR-1 cumpre seu papel
a saúde mental deixa de ser discurso e vira prática
A NR-1 não pede disputa.
Ela pede consciência, responsabilidade e maturidade coletiva.
Outros Links sobre:
Quem pode atuar com saúde mental no trabalho? NR-1...
NR-1 e Saúde Mental no Trabalho: quando o cuidado
Cida Medeiros
Sou psicoterapeuta integrativa, com formação em Psicologia, e atuo de forma independente, integrando abordagens terapêuticas, sistêmicas e práticas de cuidado emocional.


