Bem Vindo ao Blog Cida Medeiros! Caleidoscópio do Saber com Cida Medeiros: O Velho Artesão e a Tigela Imperfeita

O Velho Artesão e a Tigela Imperfeita


O Velho Artesão e a Tigela Imperfeita

Conta-se que havia um velho artesão conhecido por fabricar as mais belas tigelas de cerâmica da região.

Certo dia, um jovem aprendiz, frustrado com seus próprios erros, perguntou:

— Mestre, como o senhor consegue criar algo tão valioso?

O ancião sorriu e colocou diante dele uma tigela rachada.

— O que você vê?

— Uma peça defeituosa — respondeu o rapaz.

O mestre então encheu a tigela com água e a colocou sob a luz do sol. Os raios atravessavam as pequenas fissuras, criando desenhos luminosos sobre a mesa.

— Agora, o que você vê?

O jovem ficou em silêncio.

— Vejo algo belo.

O artesão continuou:

— Durante muitos anos, eu também enxerguei apenas as rachaduras. Queria ser perfeito, queria evitar os erros e esconder minhas marcas. Mas um dia compreendi que o valor de uma tigela não está em ser impecável. Está em sua capacidade de servir.

Fez uma pausa e acrescentou:

— As pessoas também são assim. Não precisam esperar que todas as suas dores desapareçam para amar, trabalhar, aprender ou cuidar de quem importa. O valor de uma vida não é medido pela ausência de feridas, mas pela direção que escolhemos seguir.

— Então as rachaduras não diminuem o nosso valor?

O velho sorriu:

— Não. Elas apenas nos lembram de que somos humanos. Uma vida valiosa não é uma vida perfeita. É uma vida vivida com presença, coragem e propósito.

E, enquanto observavam a luz dançar através das fissuras, o jovem começou a compreender que talvez não precisasse consertar tudo em si mesmo para merecer existir plenamente.


Reflexão

Na Terapia que tem incluem a importância de valores, aprendemos que os mesmos não são metas a serem alcançadas, mas direções para serem vividas. Podemos sentir medo e ainda assim agir com amor. Podemos carregar tristeza e continuar cultivando aquilo que é importante.

Talvez a pergunta mais transformadora não seja:

"Quando deixarei de sentir dor?"

Mas sim:

"Que tipo de pessoa desejo ser, mesmo quando a dor está presente?"

Porque uma vida com sentido não nasce da perfeição, mas do compromisso diário com aquilo que realmente tem valor.

Cida Medeiros
Caleidoscópio do Saber 

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