Quando o Fio Rompe
Reflexões sobre perdas, encontros e renascimentos
Este foi um ano em que muitos fios se romperam — dentro e fora de nós.
Fios invisíveis, mas essenciais.
Fios que sustentavam sentidos, relações, esperanças e projetos.
Fios que, ao se romperem, nos obrigaram a parar e olhar para aquilo que, até então, seguia no automático.
Para alguns, o fio da esperança foi dilacerado.
E foi justamente a partir dessa dor que muitos despertaram para algo maior: a necessidade de reconstruir, de ajudar, de cuidar. Assim, descobriram em si a capacidade da solidariedade, do amor e da entrega.
Para outros, o fio do amor se rompeu, abrindo abismos, separações e silêncios. Nesses momentos, foi preciso uma luz maior para atravessar a escuridão — uma luz que não elimina a dor, mas oferece direção.
Somos, todos nós, viajantes no tempo.
Muitas vezes esquecidos de nós mesmos, entregues à própria sorte, mas profundamente sedentos de voltar ao Lar.
Esse lar nem sempre é um lugar físico.
É um estado de pertencimento, de segurança interna, de reconexão com algo essencial. Muitos sequer sabem onde ele fica — apenas sentem sua ausência.
Vivemos tempos em que muitas consciências, vindas de diferentes histórias e dimensões da experiência humana, se dedicam à árdua tarefa da conexão e da reconexão.
Para que os filhos da Terra possam reencontrar o nascer do sol dentro do próprio coração.
Por isso, este tempo exige vigilância, atenção e presença.
A pandemia de 2020 escancarou o melhor e o pior que havia dentro e fora de nós. Tudo o que precisava morrer, morreu — não como punição, mas como passagem. Para renascer em outro plano, em outra forma, em outra consciência.
Muitos perderam. De inúmeras maneiras.
Outros ganharam. Também de inúmeras formas.
Perdas e ganhos caminham juntos. Sempre.
E há momentos em que se faz necessário um balanço amoroso: acolher o que se foi e reconhecer o que chegou.
Alguns ainda permanecem presos à dor das perdas.
Outros já caminham em direção à aurora do renascer.
E há aqueles que percebem o quanto receberam e se sentem profundamente gratos pelas descobertas de si mesmos.
Nada será como antes.
E talvez nunca tenha sido essa a proposta.
Que a taça desta passagem — celebrada no dia de hoje — possa estar repleta de esperança, consciência, resiliência, renovação e presença. Que, nos espaços vazios entre os dedos, permeando tudo, esteja a presença do Amor.
Que esse ilustre convidado seja lembrado.
E conscientemente convidado a estar.
Aceitar este ano como ele foi é essencial para a tomada de consciência que se anuncia. Como raça humana, nada será como antes. Ainda assim, tudo flui em sintonia com a Vida.
Que possamos parar, agora, para agradecer.
Agradecer por tudo.
Especialmente aos nossos ancestrais.
À vida que chegou até nós por meio de nossos pais e de nossa família.
Aos orientadores, professores, mestres e a todo conhecimento que nos foi ofertado.
Eu agradeço, de forma especial, à Divindade, à Fonte da Criação e a toda a Vida Espiritual que nos assiste a cada instante. E a essa força que guia meus passos — e os nossos — e que permitiu o encontro através do precioso tempo que nos foi ofertado.
Que esse tempo vindouro nos presenteie com novas oportunidades.
E que cada encontro seja coroado com aquilo que há de melhor, para melhor servir à qualidade da vida.
Pois, se o Tempo é arte, o Encontro é sua mais bela composição. São eles que desenham, nas paredes do tempo, os quadros que nutrem a nossa alma.
Aquele que um dia compartilhou a arte do encontro jamais esquece. É sábio quem reconhece, agradece e sela com gratidão esse momento.
A vida segue. Nem tudo acontece como gostaríamos. E os desencontros também fazem parte do caminho — são aprendizados que pedem chaves, capazes de abrir portas e janelas para novos horizontes de ser e existir.
Desejo um Feliz Ano Novo.
Com todos aqueles que você ama, dentro do coração.
Porque o amor é esse lugar mágico dentro de nós onde sempre cabe mais um para sentar, ouvir e compartilhar as histórias da vida.
Sinta-se abraçado.
Feliz Ano Novo.
Cida Medeiros
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