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Cida Medeiros 

Atendimentos Individuais


Olá!
Faz tempo que não veio por aqui.
Passando pra dizer, que estou bem e que fiquei mais nos atendimentos individuais.
Ainda estou, mais disponível para os atendimentos dessa natureza.
Observo que as pessoas estão precisando muito desse momento de acolhimento.
Alguns clientes, antigos que já fizeram varias vivencias, cursos, e tantos outros, estão se recuperando de perdas, vivendo lutos, precisando de uma escuta mais amorosa, acolhedora para ajudar a refazer o que a vida demandou de maneira tão inesperada para alguns e talvez esperada por outros, mas nunca fácil.

A Terapia tem essa beleza, essa contribuição.

A bagagem que carrego esta na bolsa, com muitas ferramentas para ajudar.

Se sentir que esse é seu momento,

Entre em contato, podemos conversar e você poderá marcar algumas seções ou fazer um processo terapêutico.

Quando abrir novos cursos ou vivencias em grupo, passo aqui para dar noticias.

Essa foto é um momento de pausa.

Desejo que estejas Bem!

Cida Medeiros


 

Quando a psique carrega marcas profundas




Quando a psique carrega marcas profundas: limites, trauma infantil e pontes possíveis entre Jung e Bert Hellinger

Existem dores que não pedem explicação.
Pedem respeito.

Traumas de abuso na infância não são apenas eventos do passado — eles deixam marcas profundas na psique, no corpo, nas relações e no modo como o indivíduo se sente autorizado a existir. Nem tudo pode ser tocado de uma vez. Nem tudo pode ser nomeado imediatamente. Há tempos internos que precisam ser honrados.

Na clínica, ignorar esses limites pode significar reviver a violência — ainda que com boas intenções.

Por isso, mais do que escolher uma abordagem “certa”, talvez o caminho seja construir pontes conscientes entre saberes, respeitando o que cada um pode oferecer — e, principalmente, o que o paciente pode sustentar.

Jung e o respeito às profundezas da psique

Na Psicologia Analítica, Carl Gustav Jung compreendia a psique como um território profundo, simbólico e autônomo. Para Jung, conteúdos traumáticos — especialmente os vividos precocemente — tendem a se organizar no inconsciente como complexos, carregados de forte carga afetiva.

Esses complexos não se dissolvem pela força.
Eles pedem escuta, simbolização e tempo.

O processo de individuação, nesse sentido, não é um empurrão rumo à verdade, mas um movimento gradual de integração. Quando há abuso infantil, o Self costuma se proteger fragmentando a experiência. A dissociação, o silêncio e o esquecimento parcial não são falhas — são estratégias de sobrevivência da psique.

Respeitar isso é ético.
Ignorar isso é invasivo.

Bert Hellinger e o olhar sistêmico sobre o sofrimento

Já a abordagem sistêmica de Bert Hellinger nos convida a ampliar o campo de visão. Hellinger não olha apenas para o indivíduo, mas para os campos relacionais e transgeracionais nos quais ele está inserido.

Nos casos de abuso, esse olhar pode revelar algo fundamental:
muitas vezes, o trauma individual está imerso em dinâmicas familiares mais amplas, como segredos, exclusões, repetições de violência, inversões de papéis ou destinos interrompidos.

O movimento sistêmico, quando bem conduzido, não busca explicação racional nem exposição da dor. Ele busca ordem, pertencimento e reconhecimento do que foi.

E aqui surge um ponto essencial de ponte — e não de conflito.

Onde as abordagens podem se encontrar (com cuidado)

O risco não está na abordagem.
Está no uso sem critério.

Em situações de abuso infantil, o movimento sistêmico não deve forçar reconciliações, nem conduzir a frases ou gestos que ultrapassem os limites psíquicos do indivíduo. Jung já alertava: não se deve confrontar conteúdos inconscientes sem que haja estrutura egoica suficiente para sustentá-los.

Por outro lado, quando respeitado o tempo interno, o trabalho sistêmico pode ajudar de formas muito específicas e potentes:

  • trazendo reconhecimento simbólico da injustiça vivida

  • devolvendo responsabilidades a quem pertence

  • interrompendo lealdades invisíveis ao sofrimento

  • ajudando o indivíduo a sair do lugar de “destino familiar”

Nesse ponto, Jung e Hellinger se encontram:
ambos compreendem que há forças maiores do que a vontade consciente atuando na psique e nas relações.

Respeitar limites também é terapêutico

Nem todo paciente está pronto para olhar o sistema.
Nem todo sistema pode ser acessado sem riscos.
E nem todo silêncio precisa ser quebrado.

Há momentos em que o trabalho precisa ser intra-psíquico antes de ser sistêmico. Em outros, o campo sistêmico oferece um alívio que a palavra ainda não alcança.

Criar pontes entre abordagens não significa misturá-las indiscriminadamente — significa discernir quando, como e para quem cada movimento é possível.

A verdadeira ética terapêutica nasce desse cuidado.

Um fechamento necessário

Traumas de abuso na infância exigem algo fundamental:
presença sem invasão.

Quando Jung nos ensina a escutar os símbolos da psique, e Hellinger nos convida a reconhecer os movimentos do campo, ambos apontam para a mesma direção:
a cura não acontece pela força — acontece quando o sofrimento é visto, respeitado e colocado em um lugar onde ele não precise mais governar a vida.

Não se trata de escolher lados.
Trata-se de honrar a complexidade da alma humana.


📚 Referências de base

  • Jung, C. G. Aion: Estudos sobre o simbolismo do si-mesmo. Vozes.

  • Jung, C. G. Os complexos e o inconsciente. Vozes.

  • Hellinger, B. Ordens do Amor. Cultrix.

  • Hellinger, B. A Simetria Oculta do Amor. Cultrix.

  • Stein, M. Jung: O mapa da alma. Cultrix.