Quando o Fio Rompe
Este ano foi um ciclo de fios que se romperam dentro e fora de nós.
Para alguns, a expectativa e a esperança dilaceraram-se, e por causa dessa dor, muitos despertaram para ajudar a restabelecer o vínculo que fora rompido pelos desencontros da caminhada.
E descobriram em si a capacidade da solidariedade, do afeto e da entrega.
Para outros, o fio do amor se rompeu, criando um abismo e a separação, requerendo assim uma luz maior para guiar na escuridão.
De certo que todos nós somos viajantes no tempo, muitas vezes esquecidos e entregues à própria jornada, mas sedentos de voltar ao Lar.
Aquele lugar seguro e protegido que muitos nem sabem onde fica.
Sim, perdidos dentro de si mesmos.
Muitas consciências têm feito essa árdua tarefa de conexão e reconexão, para que os filhos da Terra possam encontrar o nascer do sol dentro de seus próprios corações.
Sim, o tempo requer vigilância, atenção e presença.
Os desafios vividos trouxeram o melhor e o pior, dentro e fora.
Tudo o que precisou transmutar, transmutou, para renascer em outro plano.
Muitos perderam de diversas formas; porém, muitos ganharam de diversas formas também. Há de se ter um momento de balanço para acolher as perdas e os ganhos, pois eles caminham juntos na experiência humana.
Alguns ainda presos nas dores das perdas, outros voltam para a aurora do renascer, e outros percebem que receberam muito, sentindo-se gratos pelas descobertas de si mesmos.
Nada será como antes.
Urge que nossa taça nesta passagem possa estar repleta de esperança, consciência, resiliência, renovação e presença.
O ideal mais elevado diria que nos espaços vazios, entre os vãos dos dedos e permeando tudo, estivesse a presença do amor.
Que esse ilustre convidado possa ser lembrado e acolhido para estar presente.
Aceitar este ciclo como ele foi é essencial para a tomada de consciência vindoura.
Como raça humana, nada será como antes, mas tudo flui em sintonia com a Vida.
Que neste momento possamos parar para agradecer.
Por tudo.
Especialmente aos nossos ancestrais, agradecer a vida que veio por intermédio de nossos pais, da família e dos bons companheiros de jornada.
Agradecer nossos orientadores, educadores, mestres espirituais e todo o conhecimento que nos foi ofertado.
Agradeço especialmente à Divindade, Fonte da Criação e a toda a Vida que nos assiste a todo instante.
E a essa força que nos guia e permitiu o nosso encontro através do precioso tempo ofertado, que possa nos presentear com novas oportunidades no tempo vindouro.
E que ele seja coroado de tudo aquilo que se requer para melhor servir à qualidade de todos os encontros.
Pois se o tempo é arte, o encontro é a mais bela composição, deixando desenhados nas paredes da existência os quadros com cenários que nutrem nossa essência.
Aquele que um dia compartilhou a arte do encontro jamais esquecerá. É sábio quem reconhece, agradece a feliz oportunidade e sela com gratidão esse momento.
Sim, porque a caminhada segue e nem tudo ocorre como gostaríamos. Os desencontros também compõem o aprendizado, pedindo chaves que abrem portas e janelas para um novo horizonte de ser e existir.
Desejo um feliz ano novo!
Com todos aqueles que você ama, dentro do coração.
Pois o afeto é aquele lugar mágico dentro de nós onde sempre cabe mais um para sentar e compartilhar as histórias da vida.
Sinta-se abraçado!
Feliz Ano Novo!
Cida Medeiros

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