O Corpo Como Portal: Grounding, Energia e Intenção da Alma
Na escola Campo DEP, aprendemos algo essencial:
A transformação começa no corpo.
Não começa na teoria.
Não começa na crença.
Não começa na espiritualidade abstrata.
Começa no chão.
Grounding: Estar no Corpo é Estar na Vida
Grounding significa enraizamento.
Na bioenergética, desenvolvida por Alexander Lowen, o grounding é a capacidade de sentir os pés no chão, as pernas vivas, o contato com a realidade física. Lowen afirmava que uma pessoa verdadeiramente enraizada sente-se segura no próprio corpo.
Sem grounding, qualquer prática energética vira dissociação.
O trabalho com o períneo, com a base da pelve e com o contato dos pés com o solo fortalece o chamado chakra básico (Muladhara), conceito oriundo das tradições do yoga tântrico e difundido no Ocidente por autores como John Woodroffe em The Serpent Power.
O chakra básico está associado à sobrevivência, segurança e encarnação.
Abrir essa base permite que a energia não apenas suba — mas que tenha por onde subir.
Movimento de Cobra: A Energia ao Longo da Coluna
Na DEP, utilizamos movimentos ondulatórios da coluna — do cóccix à cabeça — semelhantes ao movimento de uma cobra.
Esse tipo de mobilização ativa a coluna como eixo energético.
Wilhelm Reich foi um dos primeiros a descrever que bloqueios emocionais se organizam como “couraças musculares” ao longo do corpo. A rigidez na coluna, na pelve e no pescoço corresponde muitas vezes a bloqueios psíquicos.
Soltar a cabeça e o pescoço, permitir que o movimento percorra a coluna, libera tensões crônicas e reorganiza fluxo vital.
Na Core Energetics, desenvolvida por John C. Pierrakos, o corpo é visto como a manifestação visível da história emocional da pessoa. Trabalhar o corpo é acessar padrões inconscientes.
Mover a coluna é mover energia estagnada.
Energia Universal e Individualização
Após desbloquear, ancoramos.
Esse é um ponto fundamental.
Não se trata apenas de liberar energia — mas de direcioná-la.
A proposta é ancorar o canal da intencionalidade da alma.
Na visão energética, a energia universal flui constantemente. Mas ela precisa de um veículo organizado para se individualizar no corpo.
Sem grounding, essa energia se dispersa.
Sem abertura, ela não circula.
Sem intenção, ela não se organiza.
Quando pedimos que o canal fortaleça a intenção da alma para essa encarnação, estamos afirmando algo profundo:
O corpo não é obstáculo espiritual.
Ele é instrumento de realização.
Mudança Começa no Corpo
Muitas pessoas tentam mudar pela mente.
Mas padrões mentais estão ancorados em estruturas corporais.
Lowen afirmava que a personalidade está estruturada no corpo.
Reich dizia que cada tensão muscular crônica é a história de uma emoção não expressa.
Se queremos mudar crenças, precisamos sentir onde elas vivem no corpo.
A mandíbula rígida.
O peito fechado.
A pelve contraída.
O pescoço endurecido.
Quando o corpo muda, a percepção muda.
E quando a percepção muda, a vida muda.
Como o Leitor Pode Experimentar Isso?
Mesmo que você nunca tenha feito bioenergética ou Core Energetics, pode começar simples:
Fique de pé, pés paralelos, joelhos levemente flexionados.
Sinta o peso do corpo descendo.
Respire profundamente, expandindo o abdômen.
Permita um leve movimento ondulatório na coluna.
Solte a cabeça, solte o pescoço.
Observe.
O que muda?
Há mais calor?
Mais presença?
Mais emoção?
A transformação começa na percepção corporal.
As Diversas Possibilidades do Ser
Quando trabalhamos o corpo, abrimos possibilidades.
Percebemos que não somos apenas mente.
Não somos apenas emoção.
Somos energia organizada em forma.
E se o corpo é o lugar onde a energia universal se individualiza, então cuidar do corpo é cuidar da própria missão.
A intenção da alma não é abstrata.
Ela quer se manifestar na matéria.
E a matéria somos nós.
Referências
LOWEN, Alexander. Bioenergética. São Paulo: Summus, 1982.
PIERRAKOS, John C. Core Energetics. Mendocino: LifeRhythm, 1990.
REICH, Wilhelm. Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
WOODROFFE, John (Arthur Avalon). The Serpent Power. Madras: Ganesh & Co., 1919.
