Bem Vindo ao Blog Cida Medeiros! Caleidoscópio do Saber com Cida Medeiros: março 1998

Cura Consciente: Tornar-se Canal em Todos os Campos



Cura Consciente: Tornar-se Canal em Todos os Campos

Em uma aula com minha professora Aidda, no Campo DEP, algo ficou muito claro:

A cura é amplamente trabalhada dentro das religiões.
Mas o nosso trabalho é desenvolver a cura de forma consciente.

Essa diferença muda tudo.

Não se trata apenas de pedir cura.
Trata-se de tornar-se canal de cura.

E isso começa com uma pergunta simples — e desconfortável:

Como está o meu canal de cura?


Cura Não é Apenas Intenção — É Frequência

Se compreendermos o ser humano como um sistema de múltiplos campos — físico, emocional, mental e espiritual — então a cura não acontece apenas no nível do pensamento.

Ela acontece por sintonia.

Para sintonizar uma frequência de cura, é necessário reorganizar o ego.

Na psicologia analítica, Carl Gustav Jung descreve o ego como o centro da consciência. Ele é responsável por organizar nossa identidade e percepção da realidade.

Se o ego está rígido, defensivo ou inflado, ele bloqueia fluxo.

Se está alinhado ao Self, ele se torna canal.

Portanto, desenvolver a cura consciente exige um ego forte — mas não dominante.


Responsabilidade Vibratória

Se escolhemos trabalhar como canal de cura, assumimos responsabilidade vibratória.

Isso significa:

  • Ser purificador.

  • Limpar os próprios campos emocionais.

  • Revisar crenças.

  • Cuidar do corpo físico.

  • Assumir o compromisso daquilo que se torna consciente.

Não podemos curar no outro aquilo que não estamos dispostos a olhar em nós.

Essa visão dialoga com tradições herméticas que afirmam que transformação interna precede transformação externa. No O Caibalion, encontramos o princípio da vibração: tudo está em movimento, tudo vibra.

Se tudo vibra, curar é ajustar frequência.


Corpo, Energia e Postura: Há Fundamento?

Na aula, também foram orientadas práticas específicas:

  • Dormir com as mãos preferencialmente sobre os joelhos para evitar dispersão energética.

  • Observar o relaxamento do queixo, pois a intelectualização excessiva tende a tensioná-lo.

  • A ideia de que o chakra coronário, associado ao topo da cabeça, pode criar tendência de elevação da cabeça quando há sobrecarga mental.

Vamos compreender isso com responsabilidade.

O sistema de chakras tem origem nas tradições do yoga tântrico, descritas em textos como o Sat-Cakra-Nirupana (século XVI). O chakra coronário (Sahasrara) simboliza conexão com consciência superior.

Já a relação entre tensão mandibular e atividade mental excessiva possui respaldo na psicossomática. Tensões crônicas na mandíbula estão associadas a estresse e hiperatividade cognitiva, segundo abordagens corpo-mente contemporâneas.

O psiquiatra Bessel van der Kolk afirma em O Corpo Guarda as Marcas:

“O corpo mantém a pontuação da experiência.”

Ou seja, estados mentais e emocionais se expressam corporalmente.

Mesmo que a explicação energética não seja cientificamente mensurável, a relação entre postura, tensão muscular e estado psíquico é amplamente reconhecida.


O Compromisso com Aquilo que se Torna Consciente

Há uma frase poderosa nessa aula:

Assuma o compromisso do que se dá conta.

Consciência gera responsabilidade.

Quando percebemos um padrão, uma tensão, uma crença limitante — já não podemos fingir ignorância.

Ken Wilber fala da evolução da consciência como um processo de inclusão e transcendência. Não negamos estágios anteriores — integramos.

Cura consciente não é mística ingênua.

É integração progressiva.


Como Isso se Aplica ao Leitor Leigo?

Talvez você não trabalhe como terapeuta.
Talvez não fale em chakras.
Talvez não use a palavra “campo vibratório”.

Mas você pode se perguntar:

  • Como está minha energia ao entrar em um ambiente?

  • Eu chego levando tensão ou levando calma?

  • Meu corpo vive contraído?

  • Minha mente descansa?

  • Eu assumo responsabilidade pelo que percebo?

Ser canal de cura, no cotidiano, pode significar:

  • Regular a própria respiração antes de reagir.

  • Relaxar a mandíbula quando perceber excesso de controle.

  • Cuidar do sono.

  • Observar onde sua energia se dispersa.

  • Assumir compromisso com seu próprio processo.

Não é necessário aderir a uma tradição específica para compreender isso.

Cura consciente é coerência entre pensamento, emoção e ação.


Mudar o Ego Para Mudar a Frequência

Se o ego é rígido, competitivo, defensivo, ele bloqueia.

Se aprende a servir, ele canaliza.

A única transformação necessária talvez seja esta:

Colocar o ego a serviço do alinhamento.

E isso não é religioso.
É existencial.


Tornar-se Canal

Trabalhar como canal de cura não é uma função exclusiva de terapeutas ou líderes espirituais.

É uma postura.

É decidir que sua presença no mundo não aumentará o ruído — mas contribuirá com clareza.

Talvez a pergunta final não seja:

“Eu tenho poder de cura?”

Mas:

“Eu estou disponível para ser canal?”

Cida Medeiros


Referências

JUNG, Carl Gustav. O Eu e o Inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2011.

VAN DER KOLK, Bessel. O Corpo Guarda as Marcas. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.

TRÊS INICIADOS. O Caibalion. São Paulo: Editora Pensamento, 2007.

WILBER, Ken. Uma Teoria de Tudo. São Paulo: Cultrix, 2000.

WOODROFFE, John (Arthur Avalon). The Serpent Power. Madras: Ganesh & Co., 1919. (referência clássica sobre sistema de chakras)