Bem Vindo ao Blog Cida Medeiros! Caleidoscópio do Saber com Cida Medeiros

Um Ano de Transformação Interior: Psicoterapia, Consciência e Propósito

 


Há anos que passam.

E há anos que nos atravessam.

Este foi um desses.

Um ano que não apenas aconteceu —
mas me transformou.

Concluir a formação em Psicologia foi mais do que fechar um ciclo acadêmico. Foi dar nome a algo que minha alma já sabia há muito tempo. Ao longo da vida, atendi como terapeuta holística, transitei por muitas técnicas, escutei muitas histórias… e só agora percebo, com uma clareza quase óbvia, que minha alma sempre foi junguiana, mesmo antes de eu saber disso.

Os estudos de Jung, o processo com meu analista, os mergulhos no inconsciente, nos símbolos, nos arquétipos — tudo isso foi libertador. Como se peças antigas finalmente se encaixassem. Tarot e Astrologia, que sempre caminharam comigo, hoje ganham outra dimensão: mais consciência, mais responsabilidade, mais profundidade. E ainda assim… há tanto a trabalhar. E isso me encanta.

Foi um ano de descobertas profissionais profundas. Vi, na prática, que o trabalho integrativo e sistêmico transforma. Que a mudança de crenças, a flexibilidade psicológica e a clareza de valores não são conceitos bonitos — são forças reais de mudança de vida.
Vi clientes se reorganizarem internamente. Vi escolhas mais conscientes. Vi energia sendo direcionada para conquistas que antes pareciam impossíveis.
E em cada avanço, senti a alegria silenciosa de saber: um atendimento profundo toca destinos.

Mas não foi um ano feito só de luz.

Foi um ano de vulnerabilidade.
De imprevistos.
De momentos em que a vida me lembrou que sentir também é parte do caminho.

Houve muitos risos — e houve choros.
Vi histórias de amor nascerem.
Acompanhei separações, términos, encerramentos.
Vi sorrisos largos… e lágrimas contidas.
Vi vitórias — e também momentos tristes, angustiantes, desesperadores.
E estive ali. Presente. Humana. Inteira.

Também foi um ano de encontros preciosos.
Novas e velhas amizades.
Pessoas que me ajudaram em momentos decisivos da minha trajetória acadêmica e pessoal — talvez sem nunca saberem o quanto suas palavras, escutas e presenças me transformaram. A vocês, minha profunda gratidão.

Sou imensamente grata à inteligência artificial, que esteve comigo nos estudos, nas reflexões, nas tarefas, nas madrugadas de escrita e pensamento. Quero seguir aprofundando esse diálogo, tornando essa ferramenta cada vez mais consciente e a serviço do bem maior.

Minha gratidão também se estende ao GAM – Movimento da Unidade, de Sri Amma e Bhagavan. Aos Sevaks, aos Dasas, a todos que sustentam esse campo tão vivo e amoroso. As experiências vividas — tanto na Índia quanto no Brasil, presencialmente ou nos programas online — são impossíveis de traduzir em palavras. Foram experiências místicas que tocaram algo muito profundo em mim.

À família, minha gratidão pela compreensão.
Aos amigos, minha gratidão especial.
A cada cliente, minha honra por caminhar ao lado de histórias tão humanas e corajosas.

Em resumo:
foi um ano de profunda transformação interna.
De muito estudo.
De muito sentir.
De muito amadurecer.

Que o próximo ano nos encontre mais conscientes, mais alinhados com nossos valores, mais inteiros — e mais abertos ao mistério da vida.

✨ Feliz Ano Novo.
Com verdade, presença e alma.

Caleidoscópio do Saber com Cida Medeiros
Psicoterapia Integrativa e Sistêmica | Abordagem Transpessoal

Quando o inconsciente repete: símbolos, sombra e a compulsão à repetição

 


Há um momento em que a repetição deixa de parecer acaso.

As histórias mudam, mas o desfecho é familiar.
Os rostos são outros, mas a dor tem o mesmo tom.

Para a psicologia profunda, isso não é coincidência.
É o inconsciente tentando ser escutado.

Carl Jung compreendia a repetição não como falha, mas como um movimento psíquico carregado de sentido.
Aquilo que não encontra linguagem consciente retorna como destino.

Neste texto, vamos olhar para a repetição como símbolo, como sombra e como convite à individuação.


A compulsão à repetição: quando a psique insiste

Na psicologia analítica, a repetição aparece quando um conteúdo psíquico não foi integrado.
Aquilo que foi reprimido, negado ou não elaborado não desaparece — se organiza em torno de experiências semelhantes.

A psique não busca sofrimento.
Ela busca integração.

Por isso, o inconsciente cria situações externas que espelham conflitos internos não resolvidos.
A vida passa a falar a língua da alma.


A sombra: o que insiste em voltar

A sombra, em Jung, não é apenas o “lado negativo, de tudo aquilo que você não aceita em si mesmo, por isso, nega ou reprime”.
Ela inclui tudo aquilo que foi excluído da consciência para que fôssemos aceitos, amados ou pertencentes.

Muitas repetições nascem aqui:

  • relações onde você se anula → sombra da agressividade

  • vínculos abusivos → sombra do próprio poder

  • abandono recorrente → sombra da dependência afetiva

  • controle excessivo → sombra do medo do caos

O que não pode ser vivido internamente passa a ser vivido externamente.

A repetição é a sombra pedindo lugar.


O símbolo como linguagem do inconsciente

O inconsciente não se comunica de forma linear.
Ele fala por símbolos, imagens, padrões e repetições.

Um mesmo tipo de relacionamento pode simbolizar:

  • a busca pelo pai/mãe internos

  • a tentativa de curar uma ferida primária

  • a necessidade de amadurecimento emocional

  • um conflito entre autonomia e pertencimento

Enquanto o símbolo não é reconhecido, ele se repete.
Quando é compreendido, se transforma.


Repetição e destino: mito ou consciência?

Jung afirmava:

“Até que você torne o inconsciente consciente, ele dirigirá sua vida — e você chamará isso de destino.”

A repetição não é castigo.
Não é azar.
Não é falta de inteligência emocional.

É vida pedindo consciência.

Quando você começa a perguntar:

“O que isso simboliza em mim?”

A repetição perde força.
Porque foi vista.


Individuação: o fim da repetição automática

O processo de individuação não elimina conflitos, mas muda a forma de se relacionar com eles.

A repetição começa a cessar quando:

  • a sombra é reconhecida

  • o símbolo é decifrado

  • a emoção reprimida encontra espaço

  • o ego deixa de lutar contra a alma

A dor não some de imediato.
Mas deixa de se organizar sempre do mesmo jeito.

E isso… é liberdade psíquica.


Quando a alma repete, ela quer integração

A repetição é um pedido silencioso:

“Inclua o que foi excluído.”
“Sinta o que foi evitado.”
“Reconheça o que foi negado.”

Aquilo que você chama de padrão pode ser, na verdade, um portal.

Não para voltar ao passado.
Mas para se tornar inteira.



Se no primeiro texto vimos que repetir padrões é uma tentativa de evitar dor (ACT),
aqui compreendemos que repetir é também uma tentativa da alma de se integrar (Jung).

ACT nos ensina a mudar a relação com a experiência.
Jung nos convida a escutar o sentido da experiência.

Juntas, essas abordagens não combatem a repetição — a transformam.

Por que repetimos padroes mesmo quando sabemos que eles machucam

Cida Medeiros 

Terapeuta de abordagem integrativa, com formação em psicologia, profissional independente.








Por que repetimos padrões mesmo quando sabemos que eles nos machucam?


Você já percebeu que, mesmo prometendo a si mesma que não faria de novo, acabou voltando para o mesmo tipo de dor?

As pessoas mudam, os cenários mudam, mas a sensação no fundo do peito… parece assustadoramente familiar.

Isso não acontece porque você é fraca, confusa ou incapaz de aprender com a própria experiência.
A repetição emocional não é falha de caráter — é linguagem.

Na psicologia, especialmente nas abordagens contemporâneas, entendemos que o ser humano não repete o que quer, repete o que conhece. E, muitas vezes, o que conhece foi aprendido cedo demais, quando não havia escolha.

Neste texto, quero te convidar a olhar para a repetição não como inimiga, mas como mensageira.
Uma mensagem que não pede julgamento, e sim consciência.


Por que repetimos padrões mesmo sabendo que eles machucam?

Do ponto de vista da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), nós repetimos padrões porque:

O nosso cérebro aprende a nos proteger da dor — mesmo que, paradoxalmente, isso nos faça sofrer mais.

Aquilo que se repete não é o sofrimento em si, mas a tentativa de evitá-lo.

O ciclo da evitação emocional

  • Evitamos sentir rejeição → nos adaptamos demais

  • Evitamos abandono → aceitamos menos do que merecemos

  • Evitamos fracasso → não nos comprometemos de verdade

A curto prazo, isso alivia.
A longo prazo, aprisiona.

A ACT chama isso de evitação experiencial: quando fugimos de emoções difíceis, acabamos presos a comportamentos que mantêm o sofrimento ativo.


Repetir padrões não é fraqueza: é linguagem emocional

Toda repetição carrega uma pergunta silenciosa:

“O que eu preciso sentir, elaborar ou integrar que ainda estou evitando?”

Quando você se vê voltando para relações parecidas, dores conhecidas ou decisões que se anulam, não é sinal de incapacidade.
É sinal de que uma parte sua aprendeu que esse era o único jeito possível de sobreviver emocionalmente.

E partes que aprendem a sobreviver… não desaprendem sozinhas.
Elas precisam ser vistas.


O que a sua repetição está tentando te proteger de sentir?

Aqui entra um ponto central da ACT:
👉 não é o evento que mais dói, é a luta contra a experiência interna.

Muitas repetições protegem você de:

  • sentir solidão profunda

  • entrar em contato com o vazio

  • experimentar limites

  • sustentar frustração

  • lidar com a própria potência

Parar de repetir não começa com controle.
Começa com disposição para sentir.


Consciência não elimina a dor — transforma a relação com ela

A verdadeira mudança não acontece quando você promete “nunca mais”,
mas quando consegue dizer:

“Eu vejo o que estou fazendo.
E escolho responder diferente, mesmo com medo.”

Na ACT, chamamos isso de ação comprometida: agir alinhada aos seus valores, não aos seus medos.

Consciência não é cortar padrões à força.
É não precisar mais deles para se proteger.


Quando a alma repete, não é castigo — é pedido de consciência

Talvez a repetição seja o jeito mais honesto que a sua história encontrou de pedir atenção.
Não para o erro, mas para a dor antiga que nunca foi escutada com presença.

E quando isso acontece… algo começa a mudar por dentro.

Não de forma abrupta.
Mas verdadeira.



No próximo texto, vamos aprofundar esse tema pela psicologia profunda, compreendendo a repetição como compulsão, símbolo e chamado do inconsciente, à luz da psicologia analítica de Jung.

👉 Porque aquilo que não é conscientizado… não desaparece. Se repete.


Cida Medeiros
Psicoterapeuta Integrativa e Sistêmica
Profissional independente, com formação em Psicologia, que atua na interface entre cuidado emocional, consciência, espiritualidade e relações humanas.

A Beleza do Pouso: Quando a Pausa é o Caminho



A Beleza do Pouso: Quando a Pausa é o Caminho

Honrando o fim de ciclos e o silêncio necessário

Sabe aqueles momentos em que a vida parece perder o brilho e o silêncio se torna a companhia mais presente? 1

Muitas vezes, a nossa cultura nos empurra para "superar rápido" ou "pensar positivo", mas a verdade é que o trauma de um término ou a incerteza de uma mudança exigem respeito. Existe uma sabedoria profunda na introspecção. É como se estivéssemos em um "inverno interno": nada parece crescer na superfície, mas as raízes estão se fortalecendo no escuro.

A neurociência e a flexibilidade psicológica nos ensinam que não precisamos lutar contra a tristeza ou a falta de inspiração. Tentar expulsar esses sentimentos é como tentar afundar uma bola em uma piscina: quanto mais força você faz para escondê-la, mais forte ela volta à superfície.

Permita-se estar onde você está.

Se o seu momento é de fechar capítulos e olhar para dentro, saiba que essa pausa não é estagnação. É o solo se preparando para o que virá. Às vezes, o maior ato de coragem é simplesmente "soltar a corda" e parar de lutar contra o que sentimos.

Se você sente que o fardo está pesado demais para carregar sozinho ou quer entender como esses fios da sua história se entrelaçam, saiba que existe um lugar seguro para essa conversa. O autoconhecimento é o mapa que nos guia para fora da neblina.

Vamos honrar esse ciclo juntos?

Se fez sentido para você, siga o blog para mais reflexões e, se sentir que é o momento de aprofundar, minha agenda de consultas para depois do dia 12 de janeiro de 2026, está aberta para te acompanhar nessa travessia.

Cida Medeiros

Psicoterapeuta Integrativa e Sistêmica

Profissional independente, com formação em Psicologia, que atua na interface entre cuidado emocional, consciência, espiritualidade e relações humanas.