Dos pequenos a grandes conflitos

Cida Medeiros

Na convivência humana, os conflitos são inevitáveis, eles estão à serviço da evolução da alma.

Ajudam-nos a crescer, partem da necessidade de impor-nos, de fazer valer nossos pontos de vista e até levar uma compreensão mais ampliada de uma determinada experiência.

Quando existe um conflito, existe uma ofensa eminente, existe um desequilíbrio entre o "dar e o receber", o que Bert Hellinger, chama nesse caso, de desequilíbrio das ordens do amor.

Por isso, para todos, à justiça é um bem muito valioso, pois indica que houve uma troca justa e todas as pessoas envolvidas receberam a mesma consideração.

Quando a ofensa é muito grande, existe a necessidade de reparação. Isso é algo tão sistêmico, e tão além do pessoal, que as pessoas são tomadas por sentimentos hostis e fica declarada uma guerra fria, velada e todos vão perdendo muito com isso, até que a dinâmica oculta possa ser esclarecida e o amor possa fluir novamente.

Bert diz, que quando alguém nos faz algum mal, gera-se uma necessidade de compensação, isto é, a necessidade de justiça.

A "boa consciência", segunda a definição das "diversas consciências" segundo Bert Hellinger, é algo extremamente perigoso, surge de um julgamento, "nós somos melhores que vocês", portanto temos mais direito de pertencer, de alcançar mais privilégios, de ter mais oportunidades e por ai afora... isso deflaga os Grandes Conflitos. E a causa iminente de muitas guerras.

Por isso, a "boa consciência" é muito relativa, pois pertence a uma percepção limitada da realidade, o campo relativo da experiência pessoal, que faz parte da "alma tribal", que seria a segunda "consciência" que Bert fala, nos movimentos do Espirito...são campos espirituais.

O inocente, dispara um conflito, se faz de santo, desentendido, e ainda de "coitadinho de mim"...a pessoa julga-se em "boa consciência" e com isso, desrespeita profundamente a verdade do outro. Passa por cima como um trator, usa da força, da influência de pessoas, ignora, faz de conta que não viu, não ouviu e não percebeu nada, utiliza da influência de grupos e de argumentos infantis, para prevalecer em sua postura de arrogância e superioridade.

Se você tem dúvida, reflita.., se está liderando uma determinada experiência, trabalho, projeto, organização, e o resultado esta sendo desastroso, é o momento de parar para refletir, não adiante seguir adiante, fingindo que não está acontecendo nada...isso só piorará a situação. Ignorar é a base do fracasso.

As Guerras Santas nascem porque determinados grupos, consideram "algo sagrado", a pessoa é tomada por essa consciência grupal, age com medo de ser excluído, e todos que agem diferente e possuem modos diferentes de ver a vida, são considerados "perigosos" para os interesses daquele grupo. Começa então o campo de batalha, para exterminar aqueles que pensam diferente, agem diferente e possuem estilos diferentes de agir no mundo.

Até diante de uma boa causa, surge, conflitos pessoais e coletivos.

O grande desafio dessas experiências em grupo é a demanda emocional. O que pode acontecer é a pessoa sentir-se tão atingida, juntamento "tomada" por uma dinâmica oculta de outra "alma tribal", da qual tem seu pertencimento.  É inevitável o ódio e a hostilidade vir a tona, é algo alem da pessoa, ela fica tomada por essas dinâmicas ocultas e coletivas e torna-se impossível o dialogo por um  período, até que os ânimos possam esfriar-se...e as pessoas envolvidas possam ou não retomar o dialogo.

Quando alguém rejeita alguém, segundo Bert Hellinger, nas ordens do amor, uma outra instância, que está alem da percepção consciente, força-o a dar ao "rejeitado" um lugar na sua alma. Então a pessoa, naturalmente atrai para si o mesmo nível de experiência, para poder "compensar" o que provocou no outro, isto é, se ignorou, atrai para si a mesma experiência de sentir-se ignorado, se rejeitou, atrai para si a mesma experiência de sentir-se rejeitado, se ofendeu, atrai para si a ofensa, e assim por diante...o perigo dessa situação e que a "agressão velada", desloca-se para outras pessoas que não tem nada a haver diretamente com o ocorrido, mais estão associados de alguma forma.

Se o conflito não é resolvido com a Luz da Consciência, uma outra instância oculta, leva a pessoa a ferir-se na própria alma e a fracassar.

Freud, também fala sobre isso, com a terminologia da Psicanálise, chamada de "Transferência" da qual;       - combatemos no outro, aquilo que rejeitamos em nós mesmos"...

Conflitos são dolorosos, ferem a alma, trazem sofrimento, criam grandes obstáculos, mais estão a serviço da evolução da humanidade.

As forças atuam e operam a partir de dinâmicas que pertencem as leis que Bert Hellinger, genialmente observou e sistematizou num corpo de conhecimento que está a serviço da cura desses grandes impedimentos que surgem na vida de todos nós.

Se conseguirmos ir para o essencial, poderemos eliminar a fonte de muitos conflitos, e com essa lucidez metodológica, agiremos com o foco na solução de conflitos de forma madura e racional, mais sobretudo eliminando o pensamento mágico, de atribuir "poderes" sobre-humanos, a uma única "pessoa" ou "grupo", e  a instâncias que só se "aproveitam" da oportunidade para criar mais ignorância e trevas na humanidade.

O mal insiste e persiste, quando não atingimos a maturidade do pensamento sistêmico.

Sabe aquela pessoa que precisa ir na padaria comprar pão, mais vai direto para o açougue? Isto é, a pessoa sai do essencial e vai dar voltas no mundo...mais não chega na padaria para compra o pão...

Ou então, aquela pessoa, que coloca feijão na panela de pressão e fica duas horas rezando...esquece que colocou feijão, mais quer o "milagre" de quando abrir a panela de feijão, saia dela uma deliciosa macarronada....tem pessoas que são assim, não conseguem de jeito nenhum lidar com a realidade...aceitar a realidade... para depois poder modificá-la...

Assim é o pensamento mágico da criatura humana...

Cida Medeiros




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