Palestra do Dalai Lama no Anhembi

Sua Santidade o Dalai Lama na Palestra "Convivência Responsável e Solidária"  que aconteceu no Pavilhão Oeste do Parque do Anhembi, dia 17 de setembro, começou com sua Santidade dizendo:
- "Eu me dirijo a vocês como um Ser Humano e vocês são Seres Humanos, então entre nós não existe nenhuma diferença.O mais importante e que todos nós queremos ter uma vida feliz. Além disso todos nós temos o direito de alcançarmos a felicidade".


Dalai Lama diz que a nível fundamental não existem diferenças. Todos somos iguais. Apesar das diferenças que ele coloca como "secundárias", devemos buscar um diálogo que permite a boa convivência entre nós, apesar das diferenças fundamentais que existem entre os seres humanos, devemos observar que somos essencialmente humanos e dentro de nossa humanidade precisamos desenvolver valores que transcendam as diferenças religiosas, politicas, culturais, sócio-econômicas para se conseguir uma convivência pacifica.


Dalai Lama disse que devemos desenvolver o conceito de nós. Toda a humanidade integra um "ente" único.

No mundo moderno por causa da economia global, por causa das questões ecologicas, também  por causa do crescimento populacional, um pais é totalmente ligado aos interesses dos demais paises. Então um pais tem uma relação com paises de todo continente, um pais não pode desenvolver-se sem os recursos de outros paises. Então essa realidade é fundamental para ser compreendida para que possamos ter um futuro  saudável. A Humanidade inteira é uma só.

No passado nós davamos muita enfase para esse "nós" de um lado e "eles" do outro. Isso traz muitas consequências.  Hoje precisamos desenvolver uma visão maior do "nós", como seres pertencentes a uma mesma humanidade convivendo numa interconexão maior, fundamental, responsável e solidária.

Sua Santidade Dalai Lama reforça muita a necessidade da ética essencial, que transcenda o contexto da religião, sendo uma linguagem comum que se aprende desde a infância, através da Educação. Dalai Lama reforçou o papel fundamental da Educação para implantação de novos valores onde a ética possa ser ensinada de forma essencial e que possa estar presente em todos os seres independente de suas escolhas religiosas, politicas e diferenças sócio-econômicas. Pois muitos são ateus, e Dalai Lama trouxe o respeito profundo a essa escolha, mais tentou deixar claro a necessidade de um diálogo fundamental que possa estar alicerçados em novos valores, onde podemos convergir para uma ética fundamental de respeito, responsabilidade e inclusão.



O que chamou muito atenção foi a clareza de seus ensinamentos, buscando um diálogo que possa convergir numa linguagem essencial onde possamos nos relacionar com outros seres humanos a fim de podermos alcançar a felicidade.

Isso tudo, levando em conta sua visão realista e a necessidade de mútua dependência entre todos os povos e a compreensão que os seres humanos tem atitudes e modos mentais muito distintos que precisam ser levados em consideração.  Isso tem haver com os pilares da cultura da Paz que diz: - Ouvir para compreender.

Dalai Lama apesar de ser surpreendentemente realista não perde sua convicção budista e leva sua mensagem buscando compreender as diferenças e quando possível trazendo a visão do budismo para ajudar as pessoas a compreenderem como agir em situações de conflitos e inimizades.

No final Sua Santidade Dalai Lama abriu um espaço para as perguntas e respostas.

Dentre todas as que foram possíveis de serem feitas e respondidas, uma foi bem interessante: A questão da comercialização da Espiritualidade.

Dalai Lama sugeriu que as pessoas lessem livros, se informassem mais, perguntassem mais, levassem em consideração que isso é uma decisão cuidadosa, séria, que se deve tomar levando em consideração muitas coisas, antes de tomar a decisão de seguir "esse ou aquele" caminho espiritual.

É sempre muito bom estar diante de pessoas que possuem uma visão e experiencia tão ampla da realidade e conseguem articular um dialogo entre tantas diferenças que encontram significados e valores que são essenciais e que ampliam nossa consciência ao entendimento.

E sem dúvida nenhuma uma benção estar com uma pessoa que se coloca desde seu lugar como Ser Humano, mas que sabemos ser além de um Ser Humano comum, mais uma Santidade, um Monge Budista, Tibetano, o XIV de uma linhagem dos Dalai Lamas, de uma tradição milenar, premio nobel da paz, líder espiritual e reconhecida mundialmente, com grande valor espiritual, disseminados valores da paz, buscando um dialogo inter-religioso, intercultural e multidisciplinar dentro do cenário mundial. Conectados com um Campo de Conhecimento Milenar como o Budismo Tibetano e que pratica seus ensinamentos, apesar de toda violência sobre si mesmo, sobre seu povo, sua religião e sua cultura, espetacular sua postura de humildade.

Sentimento de igualdade são valores que precisam ser cultivados desde a infância baseados numa visão de amplo prazo, inserido num contexto mundial, de bem comum, respeito e responsabilidade. (Dalai Lama)

Olha...tocante. Diante de tantos lideres, sacerdotes, mestres arrogantes que escodem sua insegurança por trás de suas funções, que usam a espiritualidade para enriquecerem, que abusam do seu poder, que humilham os que são mais pobres e desprivilegiados economicamente, que exploram, que abusam da fragilidade humana, ou mesmo, aqueles que usam o terceiro setor e as causas humanitárias para angariar privilégios próprios em sua carreira, para alavancar suas empresas, mais que estão visando unicamente o seu próprio sucesso e enriquecimento, sem nenhum respeito pelas atuais questões de sobrevivência planetária e sem de fato estar se importando com o outro, com o bem estar da coletividade, com o avanço das práticas solidárias. É um grande Dharma ter Dalai Lama na atualidade. que sobrevive a crueldade dos tempos atuais.

E vemos tantos absurdos em função do mau uso do poder...

Que quando nos encontramos com um ser humano com essa qualidade de ser, recebemos uma grande injeção de animo...

O que precisamos é mais pessoas dispostas a trazer seu conhecimento para ajudar a encontrar modos de desenvolver uma nova visão de realidade, baseadas em novos valores e na implantação de uma cultura de paz que possa estar a serviço de todos que assim desejarem.

Hoje se vê muito a questão do dinheiro como uma forma de selecionar seu publico. Um verdadeiro paradoxo. Nessa questão da auto-valorização, perde-se de vista o outro, a missão, o essencial.

Temos que buscar um diálogos sustentado num saber que auxilie a minimizar as diferenças. Que recupere a dignidade do ser humano, que acolha a pobreza, a miséria, as dificuldades humanos com respeito e sem discriminação. Abrir o coração para oferecer condições as pessoas que se esforçam para superar suas dificuldades e que buscam o saber mais que são desprovidos de recursos.

Enfim sair do capitalismo selvagem, do consumismo alienante, do materialismo exacerbado e cultivar novos valores.

Não adiante dizer que temos que ser prósperos, temos que ver os fatos e agir de acordo com a realidade de cada um. Sem ferir e expor aqueles que por alguma razão não possuem tantos recursos financeiros.

Pensar em soluções e não criar mais muros para separar as diferenças a fim de elitizar.

Cida Medeiros








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