Brecheret - Mulheres de Corpo e Alma

Curadoria da minha querida Daisy Peccinni, uma pessoa de uma sensibilidade incrivel e uma Alma Boa, vale a pena, prestigiar e conhecer essa exposição que tem como tema "Brecheret - Mulheres de Corpo e Alma"
Conferência e Gallery talk no MuBE


Dia 20 de julho de 2010
Terça-feira
14hs - Espaço Expositivo de Brecheret- Mulheres de Corpo e Alma
15hs - Auditório

Ementa: Na semana de encerramento da exposição Brecheret - Mulheres de Corpo e Alma, Daisy Peccinini, curadora, fará uma conferência sobre o tema do feminino na escultura e nos desenhos de Victor Brecheret. Na segunda parte, realizará um Gallery Talk, percorrendo com o público a exposição, discorrendo sobre a arte de Brecheret em quatro décadas de produção e os conceitos de curadoria para equacionar a mostra. Nessa oportunidade, serão destacadas as obras inéditas ao público; esculturas e principalmente os desenhos e suas especificidades e interpretações.


Daisy Peccinini é historiadora e crítica de arte da AICA-Brasil,
Livre-docente pela ECA-USP, especialista na arte de Victor Brecheret.
Conselheira e curadora do IVB

Vagas limitadas:
Conferência  e Gallery Talk gratuítas
Inscrições abertas – nome, email e telefone  no email: cursos@mube.art.br
Daisy Valle Machado Peccinini
Rua Trona Constanzo nº 250   Caxingui   05516-020
 Tels  55 11 37222928
No site do Mube:

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11 de maio a 25 de julho
“Brecheret - Mulheres de Corpo e Alma”

O tema da mulher na arte de Victor Brecheret (1894-1955) ocupa uma posição importante e privilegiada. Com efeito, a figura feminina está presente na maior parte da sua extensa produção, que percorre quase quatro décadas.

A mulher na arte de Brecheret provém da manifestação de arquétipos, na condição definida por C. G. Jung (1875-1961) como modelos do feminino inatos, que servem de matrizes para diferentes desenvolvimentos sensíveis e formais; como fontes últimas dos padrões emocionais de nossos pensamentos, sentimentos, instintos e comportamentos. É um tema recorrente, que vai e volta na trajetória do artista travestido de diferentes formas, materiais e atmosferas emocionais.

A exposição Brecheret – Mulheres de Corpo e Alma quer apresentar o eterno feminino do artista, a sua arte relacionada à anima, o feminino que habita em todo homem e, portanto, no artista escultor, emergindo na sua psique, seus humores, sentimentos, intuições, receptividade ao não racional, à capacidade de amar, à sensibilidade à natureza. Não foi por acaso que Jung, em 1920, definiu a arte como “a expressão mais pura que há para a demonstração do inconsciente de cada um. É a liberdade de expressão, é sensibilidade, criatividade, é vida”.

É importante ressaltar a linhagem escultórica de Brecheret, diferentemente dos escultores que desbastam a pedra no processo de talha direta para a realização de sua obra, como Michelangelo (1475-1564), que preconizava e definia como sendo a verdadeira escultura. Brecheret foi, acima de tudo, um escultor que agregava massa para modelar formas, um incansável modelador da greda, o barro úmido que, habilidosamente, constituía suas esculturas. Há um sentido fortemente feminino, o trabalhar com o barro, com a terra, símbolo direto da grande Mãe, que dá origem às criaturas. Ao mesmo tempo, Brecheret chamava suas esculturas como “suas filhas”, sentindo-se um taumaturgo, um pai criador de suas obras. Preferindo essa criação direta com o barro, Brecheret preocupava-se em dar uma tonalidade quente e singular a suas amadas terracotas e “filhas”. Com cuidado, as banhava com leitelho – soro de leite. Esse líquido esbranquiçado dava um brilho especial às terracotas, clareando as tonalidades, ao mesmo tempo em que os pequenos coágulos brancos se inseriam nas reentrâncias da peça, agregando maior luminosidade. É uma marca diferencial de suas terracotas.

Tanto nas pequenas como nas grandes peças são predominantes os nus femininos, que são gerados pela modelagem da terra, argila úmida, material essencial na obra de Brecheret. A relação é direta com o simbolismo feminino da Terra, como grande Mãe, a deusa Gaia, Geia ou Gê, elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora ilimitada.

Para melhor compreender a arte da escultura do mestre Brecheret, deve-se refletir sobre a verdadeira natureza da escultura. Bem diferente da bidimensionalidade da pintura, a escultura é já tridimensional, a sua função torna-se efetiva em termos de sensação de forma, de movimento para fora, de espaços abertos e fechados. A obra penetra espaços circundantes e compartilha os do próprio observador. Toda escultura estabelece um diálogo entre corpos extremamente forte; entre ela e quem a observa.

A obra escultórica oferece uma oportunidade de contemplação, bem como de prazer sensível por sua presença física, no mesmo espaço do corpo físico do público. Por sua natureza, portanto, é uma arte que apela à sensibilidade e à sensualidade, porque desenvolve imediatos estímulos visuais em relação à forma, ao corpo, à textura, ao movimento no espaço. Usualmente, o caminhar em torno da obra cria novas sensações visuais, emocionais e sensíveis da forma, luz-cor e contemplação do significado. Essa volta em torno da obra gera experiências significativas, em que novas perspectivas aparecem ou a iluminação que escorre sobre os volumes se modifica, e alguma das formas encontra eco em nosso imaginário pessoal. Enfim, a escultura acaba por fascinar com esse jogo sensório de nuances estéticas e psicológicas.
Curadoria: Daisy Peccinini


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