A guerra nos relacionamentos. Quem é o grande vilão?

Ouvir. Você sabe ouvir?

Você consegue extrair-se de si mesmo, de seu próprio pensamento e julgamento, para ouvir verdadeiramente o que o outro esta dizendo?

Sem juízos, sem pensar em soluções, alternativas, conselhos e diretrizes?

Ouvir à partir do coração?

Entendendo e compreendendo o outro à partir dos sentimentos?

Para se ouvir assim é necessário uma postura, de Empatia, por exemplo.

Ser capaz de se colocar no lugar do outro, de modo a sentir o que sentiria caso estivesse em seu lugar.

É importante desenvolver uma atitude interna de Aceitação Incondicional e respeito, para isso, é necessário acolher o outro integralmente, sem condições, sem julgá-lo pelo que sente, pensa, fala ou faz.

É claro que a maioria não teve modelos em sua infância, quase sempre os pais não escutam seus filhos, pois escutar assim, envolve uma intimidade emocional muito grande e um preparo afetivo.

Acontece que ouvir o outro desse modo é escutar coisas que podem amedrontar, assustar, por que, é possível que existam coisas das quais não se sabe lidar.

E como lidar com intimidade que se cria?

Por que ouvir assim é um convite para que a outra pessoa espere que a abertura e a confidencia sejam mútuas.

E o que fazer se não me sinto capaz de tal intimidade?

Se receio que o outro me considere fraco, menos ou até incapaz?

O medo atrapalha muito a intimidade e a entrega na escuta com profundidade.

Então, por tudo isso, as pessoas vão se fechando em seus mundos, com medo de abrirem e serem julgadas, incompreendidas e não aceitas. Ainda que isso possa não acontecer, mais existe esse temor.

Assim forma-se uma cadeia, eu não escuto, para que voce não me escute, e então, mantemos distancia um do outro.

Powell, um especialista em comunicação emocional, classifica em cinco níveis de profundidade, indo da mais superficial a mais profunda, a comunicação entre pessoas.

Começamos com o Nivel 5 - A Conversa Clichê

É aquela conversa vazia, que se faz através de frases prontas e chavões, onde as palavras soam vazias porque na realidade, não representam o que sentimos. Por exemplo, vamos sair um dia desses...

Nível 4 - Comentários sobre outras pessoas

É a velha conhecida fofoca, lembra? Uma pessoa se encontra com a outra e só fala a respeito de uma terceira, que não se encontra lá, nem para saber o conteúdo e nem sequer poder se defender. Começa normalmente assim: - Você sabe da última? Fulana...ou sicrano... pois é... nem te conto o que ela(e) aprontou dessa vez...

Nível 3 - Idéias e Julgamentos

Esse nível, a pessoa que começa a falar e se depara com o julgamento do outro, acaba sentindo-se mal e fica só em sua dor. Por exemplo: Logo que a pessoa começa a se expor, no que sente, pensa ou suas idéias, o outro que lhe escuta, já começa dizendo: Há você não deveria pensar assim... eu acho que você deveria fazer isso...ou aquilo... fazer uma oração, enfim, logo vem um conselho seguido de um julgamento moral.

Nível 2 - Sentimentos e Emoções

Um nível mais próximo do desejável. É quando a pessoa que nós ouve demonstra um interesse genuíno em saber como estamos nos sentindo, compreende que existe um sentimento, uma emoção, algo por trás, uma dificuldade. A pessoa tem uma dificuldade de falar sobre sexo na relação, por exemplo, pois tem medo de ser julgada, tem vergonha, é tímida, mais precisa se abrir, por que aquilo lhe angustia, mais teme não ser aceita e então, faz rodeios, por que não consegue se abrir e quer se certificar que não irá se expor a alguem que não irá entendê-lo. Nesse caso um bom ouvinte é aquele que sinaliza a difilculdade do outro e vai permitindo atraves do que sente do outro e o comunica de forma a abrir um caminho para uma fala mais profunda. Para isso, quem houve, tem que ter internalizado valores e uma ética profunda do Ser. Tem mesmo que saber ouvir, para que o outro se abra.

Nível 1 - Comunicação Perfeita

São os momentos que duas pessoas estão em uma Empatia tão profunda, que ambas revelam seus sentimentos, compartilhando a experiência a partir de uma verdade interna muito profunda, onde é possível revelar sentimentos positivos e negativos em uma qualidade onde as pessoas que se comunicam entram em interação profunda e podem expressar o que sentem, sem medo de serem julgadas, excluídas, avaliadas, condenadas e não aceitas. É isso é a revelação de uma amor muito profundo, capaz de sustentar e aprofundar o vinculo entre duas pessoas e manter uma qualidade muito especial de relacionamento,

Por exemplo, vamos pegar uma caso de ciúmes:

A comunicação empática e amorosa:

- "Tenho medo de te perder, por isso sinto tanto ciúme."

O Outro:

- "É assim que me sinto também: ameaçado cada vez que você conhece uma pessoa nova, com medo de você ir embora." Isso me causa muito medo e muita dor.

É por aí vai, cada um vai comunicando o que sente, como percebe as coisas, como recebeu aquela informação, o que causou...e o outro vai ouvindo, colocando-se no lugar do outro, e sentindo como o outro, o que aquilo quer dizer, e vai compreendendo.
As duas pessoas saem da postura de cobrança e mergulham mais profundamente no que o outro sente. Isso é amoroso, acolhedor e nutritivo.

Nesse nível, não existem ofensas, acusações ou cobranças, existe entendimento.

Em outros casos, ouvir sem julgar, possibilita naquele que fala a oportunidade de organizar melhor seus pensamentos, perceber melhor seus sentimentos, reorganizar sua experiência interna, ter insights e acaba por encontrar uma luz no final do túnel e muitas vez, percebe suas próprias soluções, que estavam ocultas diante da confusão de sentimentos e pensamentos.

Entendemos com isso, que jamais podemos substimar a capacidade de uma pessoas encontrar suas próprias soluções.

Mesmo naquelas situações onde não há soluções, mesmo assim, o alivio ocasionado por ser ouvido, de ser compreendido e aceito é extremamente curativo.

Hoje, fala-se muito sobre a comunicação não violenta. Para mim, não é possível uma comunicação não violenta sem certos princípios e valores humanos. Sem uma ética do Ser.

Tente escutar alguém com interesse e atenção. Faça esse treino e perceba o que acontece.

Perceba as dificuldades que surgiram.

Observe a sí mesmo.

Quando o outro estiver falando, pergunte a sí mesmo interiormente: O que estou sentindo? O que me causa isso? Como me sinto? Sem se julgar. Apenas percebendo. respire fundo e vá se permitindo. É um caminho para quem sofre de desamores e sente que falta algo.

"A paz se faz, quando me encontro em harmonia com quem Amo, quando existe vinculo, cuidado e interesse mútuo. Quando existe reciprocidade. Pois assim o amor pode fluir e preencher. É como estar nutrido e preenchido. É Saber-se fazendo parte. Isso é Amor!"

Cida Medeiros

2 comentários:

  1. Giovanna6:00 PM

    Maravilhoso!Obrigada!

    ResponderExcluir
  2. Oi querida,
    Obrigada!
    Venha sempre!
    abrços

    ResponderExcluir

Bem vindo! Deixe aqui seu comentário.