Quando queremos saber exatamente.

Essa é uma estória muito interessante, vale a pena ler, porque ela fala que as certezas exatas não podem caminhar junto com aquilo que é da ordem do inefável, do divino, do milagre ou mesmo da transcendência, ou da transfiguração, caminhar com fé e confiança, pode ser uma forma de atingir "algo" que parece inacessível. É o quanto a mente cartesiana, dogmática e materialista não pode experimentar e se maravilhar com o novo, ou algo que vem de outros planos de consciência. As vezes, só a absoluta entrega e uma certa inocência podem nos fazer atingir a transcendência ou mesmo alcançar o milagre, enquanto que a desconfiança faz com que busquemos informações que só fazem confundir e super lotar a nossa mente, inviabilizando a beleza do inédito, em função das imagens que internalizamos a partir do momento que não sabemos por limites. Saber o tempo de parar e sentir que é o suficiente é um grande aprendizado, em tudo na vida. É de se pensar e refletir. Cida Medeiros


A estória de alguém que queria saber exatamente

Havia um homem que perdera a sua mulher. Ele não tinha trabalho e não podia sustentar os seus filhos. Então um amigo lhe disse: "Nas redondezas existe um eremita que sabe como transformar pedras em ouro. Talvez ele o ajude!".

O homem disse a si mesmo: "Essa é uma boa idéia". Pôs-se a caminho, procurou o eremita e o encontrou numa caverna.

Assim que o viu, perguntou-lhe: "É verdade que você sabe como transformar pedras em ouro?"

"Sim, eu sei."

"E você me revelaria o segredo?"

"Sim, e o faço com prazer. Na próxima lua cheia você vai ao segundo vale a partir daqui - depois de amanhã já é lua cheia - e lá junte pedregulhos grandes e um pouco de madeira." Em seguida, o eremita desapareceu por um momento na caverna, mas logo voltou com algo na mão e prosseguiu: "Então você pega esse frasco com seis ervas e, uma hora antes da meia-noite, coloca-as sobre a madeira e acende o fogo. Uma hora mais tarde, pouco antes da meia-noite, portanto, as pedras estarão transformadas em ouro".

O homem agradeceu ao eremita e tomou o caminho de casa. Entretanto, quando já havia andado por algum tempo, começou a ter dúvidas: "Isso não pode ser tudo. Deve faltar alguma coisa!" Deu meia-volta, e quando chegou ao eremita, disse:"Andei refletindo. Isso não pode ser tudo. Com certeza falta alguma coisa que você não me revelou."

"Sim", disse o eremita, "é que durante a hora em que o fogo estiver ardendo, você não deve pensar num urso branco!"


(Esta estória foi retirada do livro Para que o amor dê certo, Ed. Cultrix, 2001, sobre o trabalho terapêutico de Bert Hellinger)

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