Reflexões sobre a cultura de paz por Cida Medeiros


Das experiências de vida o Ser Humano necessita desenvolver um conjunto de regras e procedimentos para
satisfazer suas necessidades, somando a ideias e valores em que o ramo das Ciências Sociais chama de cultura.

Cultura é o nome dado para essa somatório de fatores que permite que o ser humano possa viver em sociedade.



Definição segundo Sir. Edward Tylor (1871), Cultura é aquele todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, direito, costumes e outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade.

De outra forma, poderíamos dizer que cultura é tudo que é socialmente aprendido e partilhado pelos membros de uma sociedade.

Parte dessa cultura a pessoa herda de sua linhagem familiar.

Com isso temos dois tipos de herança: A material e a imaterial.

A material diz respeito a coisas e a imaterial a um conjunto de valores da qual norteiam as relações.

Por exemplo, as regras que envolve um relacionamento, os direitos e deveres que visam o bem estar de
todos os envolvidos, os conceitos, o comportamento desejável, os valores, os costumes e a ideologia que está por detrás.

As ideias fazem parte da herança humana.

Os vínculos de associação e a interdependência que juntam as pessoas em uma comunidade ou grupo, são parte de uma cultura que pode ou não estar clara para todos os envolvidos.

Quando falamos normas, dizemos que temos um conjunto de ações que podem esclarecer o limite que envolve cada individuo para a manutenção de seu bem estar na coletividade e que as vezes fazemos referência a um conjunto de normas para um conjunto de pessoas sem levar em consideração os individuos envolvidos.

A norma cultural é um conjunto de expectativas de comportamento que supõe como as pessoas devem agir para a manutenção do bem estar de todos os envolvidos.

Chamamos de Folkway como maneiras habituais de um grupo fazer as coisas. Um conjunto de regras que sempre se estabelecem norteando a maneira de ser do grupo.

Existem duas classes de folkways:

- os que são seguidos e adotados por um grupo por uma questão de boas maneiras e por um comportamento que é tido como o mais educado.

- e os que tem que ser seguidos por uma questão de se acreditar serem essenciais ao bem estar do grupo.

Dai nascem os tabus, as proibições e os julgamentos morais.

Não é necessário que o ato em si possa ser prejudicial aos demais, porem é julgado como uma norma de comportamento e pode ou não ser condenado pelas normas que não deixam de ser apenas crenças a respeito dos atos humanos como sendo certos ou errados.

As normas são inventadas por alguém que decide que isso pode ser bom ou não para o grupo da qual esta inserido.

Então uma norma é criada a partir de um julgamento do que pode ser nocivo, portanto deve ser condenado ou proibido ou inversamente podemos considerar que um determinado comportamento é saudável e exigimos que tenha que ser cumprido a fim de seguir as regras de conduta para o bem estar de todos os envolvidos.

Sempre se espera uma punição para a transgressão de um comportamento esperado em um grupo.

E uma forma de entender a realidade e uma maneira de julgar as coisas.

Toda sociedade pune aqueles que violam as suas normas.

Para quebrar esses contratos coletivos não é fácil, pois quase sempre estamos inconscientes para isso, agindo de maneira coletiva, sem tempo de fazer um juízo mais apurado sobre as excessões e tendo um novo olhar para o diferente.

O que acontece é que ao estabelecer uma regra em um grupo, isso se transforma em um mandato e a obediência é automática.

Quando totalmente internalizada a norma controla o comportamento e se torna um resposta instintiva.

A moral corre o risco de se perder na rigidez de padrões que fogem a natureza da vida e cria distorções ao longo do tempo. Não levando em consideração os detalhes envolvidos,
como a ocasião, o lugar, as circunstancias e outros fatores.

O que leva a outra questão: "A questão da ética". Que é relativa ao estudo filosófico da ação e da conduta humana a partir de um juízo de valor sobre a moralidade.

Outra questão que surge é as Leis o que em uma sociedade organizada leva a um julgamento e por fim uma punição legal. Assim as leis servem para reforças as normas.

Todo grupo é etnocêntrico por excelência. É um ponto de vista que leva as pessoas a acreditarem serem elas o centro do mundo e tudo mais é julgado a partir do que essas pessoas consideram em sua visão de vida, fazendo referência à todos os demais a partir  de um conjunto próprio de regras e valores. E algo que faz as pessoas se sentirem superiores em sua cultura à outras. Então, julgamos as culturas superiores e as inferiores segundo critérios e ponto de vistas muito pessoais. O que leva a distinção, a comparação, a seleção e ao julgamento, com invasão, exclusão e intervenção para a mudança do comportamento de outros grupos. Levando com isso a um profundo desrespeito ao ser humano e ao seu direito de ser e existir. E a caminhar segundo seus passos.

Podemos sugerir, mas jamais invadir. Por isso, se estabelece a cultura de guerra ao invés da cultura de paz.

Então, julgamos outras culturas entre certas e erradas, melhores e piores, superiores e inferiores, avançadas ou atrasadas, escolhidas ou desprezadas e assim por diante.

Podemos ver isso claramente nos outros, mas levamos mais tempo para perceber que estamos fazendo isso com os outros.

A maioria dos grupos, dentro de uma sociedade acabam por ser etnocêntrico.

Julgamos a cultura de outros povos e queremos molda-las e interferir com a melhores das intenções, sem saber se sua boa vontade foi solicitada pelo outro.

Nesse incrível paradoxo, torna-se muito difícil estabelecer uma verdadeira cultura de paz.

Somente quando a cultura de um povo se sobrepõe a outras ou quando fere-se os direitos minimos do ser humano, faz-se necessário a intervenção internacional para fazer valer os  direitos internacionais para a preservar as condições minimas de sobrevivência e a regulamentação de regras, princípios e normas que visam o bem estar mundial em respeito à vida. Ver globalmente mais agir localmente.

"Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta" (Jung).

Assim falei, Cida Medeiros

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